O assunto cultural do momento no Rio é o massacre que se promove contra Marcelo Madureira por ter tido o desplante de atacar Glauber Rocha num debate sobre humorismo. "Glauber é um merda", ele disse, referindo-se à obra do cineasta e ao Cinema Novo de maneira geral.
Vejam bem: era um debate sobre humorismo!
O que não impediu Marcelo Madureira de chegar muito perto da verdade. O Cinema Novo era um pé no saco: direções capengas e arrogantes, som ininteligível, edição primária, fotografia tosca e, claro, uma penca de derramados elogios dos críticos e cineastas franceses da Nouvelle Vague - tão chatos quanto e que não por acaso se identificavam com os exóticos colegas brasileiros.
Enquanto cinemanovistas sem talento puxavam o saco da crítica francesa, Walter Hugo Khoury fazia cinema de verdade e era tratado como um direitista alienado.
Na primeira página do Segundo Caderno do Globo, hoje, os ataques indignados a Marcelo Madureira são liderados por um velhinho malandro - Cacá Diegues -, um completo desconhecido e um picareta manjado, Cláudio Assis, cineasta pernambucano autor de duas pérolas da desimportância, Amarelo Manga e Baixio das Bestas. Assis disse de Madureira:
- Ele quer aparecer como inteligente, mas não é ninguém.
Cláudio Assis é o mesmo que, recentemente, num festival de cinema em que perdeu para Hector Babenco, chamou de imbecil o argentino que é um dos melhores cineastas brasileiros e, diante da reação da platéia, "argumentou":
- Você é um escroto! Fodam-se vocês todos. Eu falo o que quiser falar. Tomem no cu!
É assim que funciona: este Godard de Caruaru fala o que quiser, mas não admite que Marcelo Madureira diga o que pensa, ainda que seja num debate sobre humorismo.
Um dos líderes do desagravo a Glauber é um sujeito profissionalmente identificado "admirador", "aficcionado", "cinéfilo" Dejean Pellegrin. Ele afirma que "para se criticar Glauber é necessário que se tenha dado alguma contribuição à cultura brasileira". E acrescenta:
- As pessoas não podem dizer o que querem e ficar por isso mesmo. Daqui a pouco alguém fala que Niemeyer é uma merda.
Bem, o que eu sei de Niemeyer é que ele é um defensor da ditadura cubana e de qualquer outra ditadura de esquerda e que é impossível morar dentro das casas que ele construiu.
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13 comentários:
Viva Marcelo Madureia e a liberdade de expressaõ numa sociedade hipocritamente correta(?). Viva A LIBERDADE DE EXPRESSAÕ. Glauber Rocha é chatíssimo, uma bosta, a pior das ressacas..
Para criticar Glauber, diz Sir Pellegrin, “é necessário que se tenha dado alguma contribuição à cultura brasileira. Se Ferreira Gullar dissesse algo assim [que Glauber é uma merda], o que nunca aconteceria, seria outra coisa”. Quer dizer que Gullar poderia chamar Glauber de merda, mas Marcelo Madureira não? Viva a censura, portanto, mas uma censura seletiva.
Escrevi também sobre a polêmica no meu blog de cinema: http://www.orm.com.br/blogdecinema. Abraço.
Que melhor contribuição para a arte que o humor? Hehe, gostei do texto!
O problema é que o Casseta e Planeta é tão revoltantemente ruim, constrangedor, e seus integrantes tão bunda-moles (o único que assumia morreu) que ninguem acha graça no que os caras dizem. Humorista ruim é levado a sério. E o MM é uma M mesmo, pelamordedeus. Sou a favor da implosão do Casseta. A pipa do vovô não sobe mais.
Eu não acho o Glauber uma merda. Acho muito bom. Acho que é preguiçoso quem acha o contrário. E o Niemeyer ficou gagá a uns 47 anos atrás, pô...
E a obra é linda, incrível, revolucionária. Quem diz o contrário é bundão, facistão (ainda existem!) que não admite que um "comuna" possa ser tão esperto. Quem fala mal do Niemeyer começa dizendo que ele é comuna...
É foda.
Esse Pelegrin é mesmo um "glauber": pô, se o ministro da cultura acha que o funk carioca, o axé, o tchan e outras porcarias devem ser democraticamente consideradas manifestações culturais, por que então casseta & planeta não seriam? Dessa forma o infeliz critico disse uma asneira grossa, pois ela autoriza o madureira a falar mal de glauber.
Aliás, não esqueçam de dar descarga depois de fazerem seu glauber na privada. A Família dele, muito ENFEZADA, agradece...
E é óbvio, que essa onda pega:
- Pô, pára de falar glauber, acha que meu ouvido é pinico?
- Mas você tá muito glauber na cabeça!
- Cuidado, recolha o glauber do seu cachorro antes que alguém pise nele!
- Ih! Isso vai dar glauber!
Manchete futura: Humorista é processado por dizer que glauber é um glauber!
Apesar de ler hoje sobre essa polêmica, encontrei um artigo que infelizmente não escreví.
O autor é muito feliz porque os filmes de Glauber, Godard e os prédios que Niemeyer fez para alguém tentar morar aquí em BH são todas umas merdas.
Vou dar meu testemunho sobre o Niemeyer. A biblioteca pública do Rio de Janeiro, que fica na Avenida Presidente Vargas, foi projeta por ele. Uma bibliotecária de lá me apresentou inúmeros erros de projeto. A casa de praia de Darcy Ribeiro em Maricá é a coisa mais estranha do mundo. Ninguém entende nada daquilo que o Niemeyer criou. É a casa mais feia e esquisita da orla. Quanto ao Glauber, sem humorismo, também uma merda.
Conhecia você só de nome, mas fiquei curioso para ler seu blog após a polêmica sobre o Senado que o Noblat noticiou. Gostei muito, especialmente desse post. A propósito, Niemeyer é uma merda.
Ei,
Glauber é genial.
Mas ninguém é obrigado a concordar. Porém, pena que um blog como o seu se preste a tanto preconceito sobre o cinema novo, quando mundialmente ele é considerado.
O argumento é muito ruim. Péssimo, para dizer a verdade. No entanto, defendo sua liberdade de dizer coisas sem qualquer fundamento...
Glauber é genial!
Luiz Carlos
Daqui 50 anos o nome de Glauber Rocha ainda será lembrado, já o de Marcelo Madureira...
Jailson
Walter Hugo Khoury fazia cinema de verdade? Aonde? Você se refere às pornochanchadas EU, AMOR,ESTRANHO AMOR e outras
'"pérolas"? Ah, tá...Não que um simples comentário em um debate sobre humor mereça um desagravo na ABI, mas calma lá.O Cinema, assim como qualquer manisfestação artística, depende de um mínimo de repertório de quem assiste. Tem gente que acha Tom Jobim uma merda, Villa-Lobos uma merda, Jazz uma coisa chata...E gente que adora. O curioso é que Glauber, se vivo, possivelmente defenderia com ardor o direito de Marcelo Madureira criticá-lo. Rebateria no mesmo tom, o que seria tarefa fácil se levarmos em considreação as incursões do Casseta & Planeta no cinema, com filmes que beiram o sofrível de tão ruins. Sem contar com o fato de que foram produzidos com dinheiro de leis deincentivo baseadas em renúncia fiscal.
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