sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Em vez de controlar a mídia, democratizem o acesso à web



É irritante esta briga entre a imprensa e a esquerda que defende o controle social da imprensa. Pura perda de tempo.


Controle social da imprensa é papo dos anos 80. Já era. Em vez de controlar a distribuição de conteúdo, há que se democratizar o acesso.


Quando todo mundo tiver acesso à informação, via web, não haverá motivo para brigar com a "mídia burguesa". Terá leitor quem fizer melhor


Em vez de encher o saco com essas propostas de controle da imprensa, lutem por banda larga gratuita pra todo mundo.


Democracia não se pede, se pratica: com pleno acesso à informação. Banda larga gratuita já!


Acesso gratuito sem fio em lan houses, nas escolas e universidades, nas praças, nos prédios públicos, nos shoppings, onde mais for possível.


E computador barato e simples, com conexão à internet e programas de edição. O resto é bobagem, por enquanto.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

A Folha dá um furo em off e denuncia o off como danoso ao país

Desde que seja verdade, a jornalista Eliane Cantanhêde deu um furo, hoje, com a notícia de que o presidente Lula e o ministro Nelson Jobim decidiram que o Brasil vai mesmo comprar os jatos franceses para equipar a FAB. Bateram o martelo depois que a fábrica francesa aceitou baixar o preço em 2 bilhões de dólares.


Matéria totalmente em off, é claro, que ninguém é louco de assumir tal declaração, nem mesmo o exibido Jobim. 


Mas o que fez Eliane Cantanhêde logo depois de concluir o texto da reportagem? Voltou ao computador e produziu um artigo em que ataca o governo por ter vazado informação tão importante justamente no dia em que o Brasil está recebendo o novo embaixador dos Estados Unidos, país que produz um dos jatos que disputam a preferência brasileira.


Isto é inédito no jornalismo tupiniquim.


Acompanhem:


1. A repórter obtém informações em off e publica um furo de reportagem.


2. A mesma repórter, agora colunista, critica a informação em off como prejudicial aos interesses do país.


Os textos da FOLHA:


Dassault diminui preço, e Lula escolhe caça francês
Valor do pacote de 36 caças cai quase R$ 4 bi, e governo bate o martelo pelo Rafale

Mesmo com redução, avião fabricado pela França custará quase 40% a mais do que o concorrente mais barato, o sueco Gripen 


ELIANE CANTANHÊDE
COLUNISTA DA FOLHA 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Nelson Jobim (Defesa) bateram o martelo a favor do caça francês Rafale. A decisão foi tomada depois que a fabricante, Dassault, reduziu de US$ 8,2 bilhões (R$ 15,1 bilhões) para US$ 6,2 bilhões (R$ 11,4 bilhões) o preço final do pacote de 36 aviões para a Força Aérea Brasileira.
Mesmo com a redução, os caças franceses têm preço muito superior ao dos concorrentes. Conforme a Folha apurou, a proposta do modelo Gripen NG, da sueca Saab, foi de US$ 4,5 bilhões, e a dos F-18 Super Hornet, da norte-americana Boeing, de US$ 5,7 bilhões.
Além do custo do pacote, que inclui avião, armas, logística e custo de transferência tecnológica, a Dassault estimou que a manutenção dos aviões por 30 anos custará US$ 4 bilhões.
Os valores foram revistos após o presidente Lula anunciar antecipadamente a vitória do Rafale, em setembro. O preço unitário, sempre uma estimativa, era então menor para todos os concorrentes porque o pacote não previa vantagens incluídas na renegociação -como o custo de a Embraer fabricar o caça futuramente.
(...)


 
Trombada no ar

Eliane Cantanhêde

BRASÍLIA - Não poderia haver um "timing" pior para a notícia sobre a compra dos caças franceses do que hoje, quando Lula recebe as credenciais, nada mais, nada menos, do que do novo embaixador americano, o tão esperado Thomas Shannon. O EUA concorrem, ou concorriam, com o F-18.
Foi por isso que Lula e Jobim se reuniram na terça-feira, decidiram a favor dos Rafale e acertaram o discurso e as argumentações necessárias para a hora da divulgação oficial, mas ficaram de bico calado.
A decisão pró-Rafale vem de muito tempo, um ano ou mais, e já tinha ficado de péssimo tom anunciá-la no 7 de Setembro, deixando os pilotos da comissão técnica e os concorrentes dos EUA e da Suécia com cara de trouxas. Tanto que o governo deu meia volta, volver.
Agora, a coisa se repete, mas nos bastidores. Depois do vexame, depois dos muitos meses de trabalho da comissão e das investidas dos concorrentes, só faltava mesmo essa: Lula e Jobim decidirem e a má notícia vazar para os americanos justamente na hora da festa de chegada do embaixador.
Bem, mas nós daqui e você daí já sabemos como se resolvem, ou se tentam resolver, essas coisas: jogando a culpa na imprensa. Lula e Jobim vão ficar roucos de tanto negar, mas a verdade tarda, mas não falha. Então é só aguardar.
Até lá, Jobim, estará colocando seu talento de advogado, parlamentar e constituinte, ministro pela segunda vez e ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) a serviço de uma peça política. Uma peça para explicar por que, afinal, brigadeiros e coronéis da FAB e entendidos da Embraer preferiram o pacote sueco, que além de tudo é o mais barato, mas os políticos optaram pelo francês, além de tudo o mais caro dos três.
Quando houver clima para o anúncio oficial, a expectativa é a de que boa parte da opinião pública receba com ironia: "Não precisa explicar, eu só queria entender". 

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

O "uau" para Ipad é deprimente

Quando Steve Jobs ergue o Ipad, ouve-se nas matérias das tevês um forte rumor na plateia. Um "uau" que faz lembrar índios diante de um totem enviado pelos deuses.


Meio deprimente, não?

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

O VT do ano ficou sem lead

Ela sabia que estava com a matéria do ano nas mãos. Um país devastado, mais de 100 mil mortos, a cidade soterrada por escombros, buscas desesperadas de sobreviventes sem resultados animadores... e, de repente, o acaso a empurra, e ao cinegrafista, para o centro de uma história magnífica: uma mulher sendo retirada debaixo de toneladas de tijolos, concreto e ferros retorcidos.

Tudo filmado, movimento por movimento, o sofrimento da vítima, os gemidos, as palavras de conforto dos socorristas, o desespero de quem lutava para chegar a tempo ao buraco onde aquela mulher estivera presa por vários dias. Um milagre acontecia diante da câmera. A repórter narrava com voz embargada, mas tentava manter a calma, lutava para não gritar ou atropelar as palavras.

Perfeito, até que um aviso pelo celular determinou: prepare-se para a entrada ao vivo. Péssima notícia. Para entrar ao vivo, a equipe teria que mudar de posição, o cinegrafista seria obrigado a deslocar a câmera da mulher que estava quase sendo retirada, aparentemente com vida, para o plano fechado no rosto da repórter, em local de luz adequada.

Ela entrou ao vivo, como manda o figurino, mas perdeu o momento mais importante da história: o exato instante em que a vítima era resgatada, viva. Dias depois, a emissora conseguiu exibir esta cena final, comprada de um sujeito que filmou com o celular. Imagem tosca, sem qualidade, ainda assim útil.

Mas a matéria do ano ficou sem lead.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Telejornais não souberam homenagear Zilda Arns

Zilda Arns merecia muito mais do que as matérias indigentes e o tempo exíguo que os telejornais dedicaram a ela. Mostraram ignorância histórica e insensibilidade.


Eu queria assistir a um VT devastador sobre Zilda Arns. Queria me comover, chorar diante de um bom texto e imagens bonitas. Como nos velhos tempos, queria prantear mortos que merecem minha emoção e minha homenagem. Os telejornais me negaram isso em relação a Zilda Arns.


Foram submissos à teoria dos 2 minutos, segundo a qual nenhum VT pode passar muito deste tempo, para não cansar o telespectador. Exeto os chamados VTs da casa, feitos para marcar posição sobre a vida política do país.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

O blog está inibido. Por enquanto

A gente vai envelhecendo e ficando sentimental. Se comove com manifestações como a deste visitante do blog:




Que me 2110 voce apareça mais neste espaço. 




Voce esta na minha caixa de favoritos na categoria dos que menos postam.

Uma pena!

Sem brincadeiras:

Mesmo sem conhecê-lo (voce não vem em Goias e eu não tenho grana para ir ai) já te admiro e desejo que sua saúde não lhe pregue peças este ano!


Este leitor e alguns outros, que aparecem por aqui de vez em quando, merecem uma explicação direta para a falta de atualizações regulares  do blog.
O trabalho que faço aqui, há alguns anos, não é remunerado. Nem haveria motivo para isso. Trata-se de pura diversão de um jornalista que gosta muito de dar palpites e costuma ter opinião formada sobre quase todos os assuntos, por piores que sejam.
Sempre que me vejo obrigado a alguma atividade profissional regular, o blog sai perdendo. Nem sempre por falta de tempo. Quando atuei como editor-chefe do JB e, logo depois, como diretor de jornalismo da Band no Rio, entendi que estas atividades me impediam de fazer, aqui este espaço, análises da imprensa. Seria um abuso, por exemplo, criticar a TV Globo num blog enquanto trabalhava na Band. No mínimo, não seria isento. E, mesmo que fosse, minha sinceridade poderia ser posta em dúvida.
Neste momento, estou prestando serviço de consultoria a uma facção política.
Não importa o quanto me identifico com o grupo que me contratou. Nunca importou. Tratamento digno, honestidade no relacionamento e remuneração justa sempre foram critérios mais importantes do que identidade pessoal ou política, em todos os empregos que tive. Trabalhei 18 anos nas Organizações Globo, boa parte deste tempo em funções de comando, e nunca me foi exigido mais do que lealdade profissional. Foi assim  em quase todas as empresas para as quais trabalhei. E também foi assim com os políticos que assessorei, direta ou indiretamente.
No entanto, é inegável que a situação limita minha liberdade de opinião aqui no blog. A não ser que eu decida agir como um rematado canalha, usando o blog para defender os interesses de quem me contratou, sem identificar esta condição, ou fingindo uma isenção que não posso me dar ao luxo de ter.
Neste momento estou impedido, por contrato, de tornar público o trabalho de consultoria que tenho feito há alguns meses. Quando puder identificá-lo abertamente, posso até escrever diariamente sobre política aqui neste espaço. Mas, neste caso, estarei sendo honesto com os leitores, que conhecerão as minhas limitações.


sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Boris e sua visão de mundo

Não foi uma piada de mau gosto.

O que Boris Casoy apresentou aos telespectadores do Jornal da Band, ontem, foi a sua visão de mundo.

Com a ajuda de Joelmir Beting.