Domingo, 5 de Julho de 2009

Época: os encontros secretos de Agaciel

Trecho de matéria da Revista Época desta semana:

Desde que Agaciel da Silva Maia deixou há quatro meses a diretoria-geral do Senado, o país assiste a uma série de escândalos sobre seus 14 anos no comando da administração da instituição. Em todos eles, descobriram-se artifícios criados por Agaciel para preservar as irregularidades sob segredo. O mais novo mistério é um cofre de aço Pavani, com mais de 1 metro de altura, trancado em um armário em frente à mesa de trabalho usada por Agaciel. Funcionários do Senado dizem que ele guardava ali dinheiro e documentos. Como Agaciel não revelou o segredo para abrir o cofre, seus sucessores ainda não sabem o que há lá dentro. Vão chamar especialistas para arrombá-lo. Ao sair, Agaciel fez uma limpeza em seus arquivos. Mesmo assim, deixou vestígios.

Há dez dias, epoca.com.br revelou que Agaciel mandou construir uma escada secreta. Ela ligava seu gabinete no 3o andar do Anexo I do Senado – a torre onde estão os escritórios mais disputados pelos senadores – ao pavimento de baixo, onde mantinha uma espécie de bunker. Com cerca de 130 metros quadrados, ele tinha banheiro privativo, sofás e tapetes vermelhos, spots com luz especial, frigobar, equipamentos de som e de vídeo e um telão. Uma mesa de reunião e cabos de computadores – as máquinas foram retiradas antes de a sala ser descoberta – sugerem que o bunker pode também ter sido usado para atividades e encontros reservados. Algumas delas bem íntimas, por algumas evidências encontradas no local: manchas nos sofás, revistas e vídeos eróticos – um deles com o título de Tardes molhadas – e uma bisnaga pela metade de KY, com prazo de validade até dezembro de 2009. O KY é um gel lubrificante indicado para sexo.

Depois de descobrir a escada secreta, os servidores do Senado acharam uma porta com três fechaduras. Tiveram de chamar um chaveiro para abri-la. Tomaram um susto. O lugar estava muito sujo e fedorento. Como só Agaciel tinha as chaves para acesso, os serventes do Senado não podiam fazer a limpeza. Espalhadas pelo chão, foram encontradas mais de 20 caixas de lenços de papel da marca Yes. Do lado de dentro do bunker, foi afixada uma placa com os dizeres “Comissão Diretora Presidência do Senado Federal” – algo parecido com o que há do lado de fora dos gabinetes do Senado.

Para chegar ao bunker, havia dois caminhos: um era pelo elevador privativo dos senadores, que permite a entrada em uma saleta com acesso ao gabinete do diretor-geral por uma porta também exclusiva, fora da visão dos funcionários. Outra porta nessa saleta dá acesso à escada secreta. Essa saleta, com bonitos móveis antigos, era o escritório da telefonista do Senado Cristiane Tinoco Mendonça, uma moça elogiada pela beleza e boa forma física, que era apresentada como uma das secretárias de Agaciel Maia, mas fazia muito mais que atender telefonemas ou atender recados.

Cristiane virou notícia no dia da eleição de José Sarney para a presidência do Senado. Da tribuna, o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) descreveu o espanto do colega Tasso Jereissati ao ser informado de que o BMW estacionado em uma das vagas destinadas a carros de senador era de Cristiane. Depois se descobriu que Cristiane mora num apartamento funcional do Senado. Até março, ela tinha status de diretora como secretária de Controle e Execução do Senado. No auge do poder de Agaciel, eram famosos entre os funcionários da Diretoria-Geral do Senado os despachos das 5 da tarde entre Cristiane e Agaciel. O senador Heráclito Fortes (DEM-PI), primeiro-secretário do Senado, mandou abrir uma sindicância para apurar como foi construída a escada – obra não prevista na reforma do prédio e nem no projeto do arquiteto Oscar Niemeyer – e para que servia o bunker de Agaciel.

Juiz: bem que o RS podia ser do Uruguai

Eis um juiz que conhece o Rio Grande do Sul.

E não gosta.

Do Estadão deste domingo:

Em meio ao calor de um julgamento no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de São Paulo, o desembargador Paulo Octávio Baptista Pereira se destacou entre seus pares ao lançar mão de argumentos polêmicos para defender sua tese. Estava em discussão a legalidade ou não do voto de presos provisórios, estimados em 40 mil no Estado. O desembargador, que deliberou contra, falou inicialmente do voto de protesto - citou Biro Biro, Cacareco e Enéas ("Como é que esse sujeito teve um milhão e meio de votos?"). E depois apontou para o Rio Grande do Sul, que já conferiu à população carcerária o direito de ir às urnas.

"Eu sei, o Rio Grande do Sul é uma maravilha, não é?", observou Pereira. "No Rio Grande do Sul todos os problemas do País estariam resolvidos. Agora há pouco um colega nosso lá... teve uma quadrilha presa praticamente em flagrante delito por roubo de cargas e morte de pessoas, o sujeito botou todo mundo na rua dizendo que não tinha vaga no presídio. Houve uma comoção generalizada, ô, ô, ô. Aí foram prender de novo."

O magistrado foi além, e buscou na Guerra dos Farrapos (1835/1845), orgulho do povo gaúcho, reforço para seu voto: "Então, o Rio Grande do Sul é uma beleza, a tese lá do Direito alternativo, entendeu? Eles fazem a lei do jeito que eles acham, essa lei não serve, não é justa, então não se aplica. É uma beleza. Quem sabe, se não fosse a Revolução Farroupilha, ou se nós não fizéssemos nenhuma oposição a ela, quem sabe nós teríamos nos livrado do Rio Grande do Sul, estaria ele do lado do Uruguai, quem sabe."

Terça-feira, 30 de Junho de 2009

Arthur Virgílio: o pior é que as calúnias são verdadeiras

Chamar José Sarney de corrupto, acusá-lo de último coronel, afirmar que ele é a vanguarda do atraso?

Ninguém precisa digitar a URL deste blog para saber o que todo mundo sabe e diz de Sarney há quase 30 anos.

Entre lá no Google, escreva a palavra Sarney e veja: as primeiras 510 páginas são contra o senador maranhense.

Ficamos, então, conversados: este blog também não gosta de Sarney e só torceu por ele na eleição para a presidência do Senado porque a alternativa era pior. Tião Viana é um futuro Sarney, mais perigoso porque jovem, cheio de gás e tão amado pelos coleguinhas jornalistas quanto o velho coronel.

E, talvez, com Tião Viana na presidência, nada do que sabemos hoje teria vindo a público.

Tião Viana é um Sarney sonso.

Este blog gosta de novidades e imagina que alguns leitores tenham o mesmo tipo de desejo. Por esta razão, tem se esforçado para ler nos jornais as notícias sobre as falcatruas em que se meteu o líder tucano Arthur Virgílio, ele também um protegido do esquema mafioso de Agaciel Maia, ex-(ou ainda não?)-diretor-geral do Senado.

Mas é difícil encontrar notícias sobre a enrascada de Arthur Virgílio. Flagrado com a boca na botija, certamente por causa de algum vazamento maldoso - é assim que as coisas funcionam por lá - o senador amazonense fingiu-se de indignado, encheu-se de brios, e partiu para grosseiras acusações contra tudo e contra todos.

Em discurso de três horas, como vestal chocada e ofendida com tanta pouca vergonha, chamou Agaciel de chantagista e caluniador e agora quer porque quer a cabeça de Sarney numa bandeja.

Resolveu fazer oposição.

Aos fatos.

Arthur Virgílio foi beneficiado por pelo menos cinco ou seis mamatas da gestão Agaciel, a saber:

1. Estava passeando com a mulher em Paris, seu cartão de crédito foi bloqueado e Agaciel, aqui do Brasil, pagou a conta, de 10 mil dólares.

2. Sua mãe precisou de um tratamento médico sofisticado e o Senado pagou todas as despesas, de R$ 723 mil, embora ela não fosse dependente de Arthur no plano de saúde da Casa.

3. Empregou no Senado os três filhos, a mulher e a irmã do seu chefe de gabinete.

4. A irmã do chefe do gabinete de Arthur foi contratada por um daqueles escandalosos atos secretos, com salário de mais de R$ 7 mil.

5. Um dos filhos do chefe de gabinete de Arthur ganhava R$ 10 mil como funcionário do Senado, mas nunca trabalhou, e nem podia, porque morava na Espanha, onde estudava.

6. Há uma história ainda não explicada sobre o emprego que Arthur teria dado no Senado ao seu professor de jiu-jitsu, que vive no Amazonas.

Que jornal publicou as denúncias que desmoralizam qualquer acusação de Arthur Virgílio a quem quer que seja, se o assunto for ética e moralidade?

Nenhum.

O único que o fez, o Estadão, deu à notícia um enfoque oposto ao verdadeiro. Retratou um Arthur Virgílio tomado de ira santa contra tanta indignidade (dos outros, claro). Exibiu-o em posição de ataque e fez rápidas e confusas referências às acusações, tratadas apenas como chantagens.

O que faz lembrar a história contada por Sebastião Nery no seu livro sobre folclore político:

Um secretário de Estado do Rio Grande do Sul, das fileiras do glorioso e puro PL, foi acusado de avançar a mão nos dinheiros públicos.

Décio Martins da Costa, presidente do diretório estadual do PL, organizou uma comissão de sindicância interna. Apurado tudo, reuniu a direção regional:

- Companheiros, nosso companheiro foi violentamente caluniado. Fizemos a sindicância. E o pior é que a calúnia é verdadeira!

O caluniado foi expulso. Do governo e do partido.

Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

Sarkozy está certo: burca não!

O véu islâmico:

A burca:




O blog está com Sarkozy, quando ele afirma:

- A burca não é um símbolo religioso, é um símbolo da submissão das mulheres. Por isso, não é bem-vinda no território da República.

Mais tarde, o presidente da França enfatizou:

- A burca não é um problema religioso, é um problema de liberdade e de dignidade das mulheres. É um símbolo de servidão.

A burca, é necessário que fique registrado, não é o véu islâmico, usado livremente em qualquer país do mundo, inclusive na França. É uma vestimenta que cobre totalmente o corpo das mulheres, inclusive o rosto e os olhos. Poucos países islâmicos impõem o uso da burca.

Por que a França deveria admitir tal discriminação às mulheres?




Terça-feira, 23 de Junho de 2009

"Vem, vem, vem... deixa solto"

Uma jovem de 20 anos caiu com o carro do quarto andar do estacionamento, em Massachussets, Estados Unidos. Ela dava uma ré, para sair da vaga e deixar o prédio.





Incluam o Simon fora dessa

A assessoria do Senado Pedro Simon negou que ele tenha sido beneficiado por algum ato secreto do Senado.

Ele apareceu na lista divulgada pelo Estadão.

Mas foi o único que desmentiu.

Arthur Virgílio e o professor de jiu-jitsu

Arthur Virgílio foi o mais agressivo dos críticos ao diretor do senado, Agaciel Maia. Também pudera. Ele teria sido chantageado pela turma que comando a Casa há 15 anos.

De Mônica Bérgamo, na Folha:

PANELA DE PRESSÃO

O senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) diz ter recebido vários "recados" de pessoas ligadas ao ex-diretor do Senado Agaciel Maia que o levaram a concluir que estava sendo pressionado para se "acoelhar" [tornar dócil] em relação a abusos no parlamento. Um deles dizia respeito a Oswaldo Alves, treinador de jiu-jítsu que foi seu professor e estava lotado em seu gabinete, mas morava em Manaus. "Quiseram dizer que ele era meu personal. Mas ele era a minha referência na juventude do Amazonas. Lá, o jiu-jítsu é mais popular que futebol." O funcionário pediu demissão do gabinete.

Estadão conta quem usou atos secretos

Do Estado de S. Paulo:

Atos secretos envolveram 37 senadores dos principais partidos

Prática também aparece associada a 24 ex-parlamentares desde 1995, evidenciando que era bem conhecida

Leandro Colon e Rosa Costa

A edição de atos secretos beneficiou ou obteve a chancela de pelo menos 37 senadores e 24 ex-parlamentares desde 1995. Não há distinção partidária - PT, DEM, PMDB, PSDB, PDT, PSB, PRB, PTB e PR têm representantes na lista. São senadores que aparecem como beneficiários de nomeações em seus gabinetes ou que assinaram atos secretos da Mesa Diretora criando cargos e privilégios. A existência de tantos nomes indica que a prática dos boletins reservados era bem conhecida.

Eis a lista dos senadores beneficiados por atos secretos
Aldemir Santana (DEM-DF)
Antonio Carlos Júnior (DEM-BA)
Augusto Botelho (PT-RR)
Cristovam Buarque (PDT-DF)
Delcídio Amaral (PT-MS)
Demóstenes Torres (DEM-GO)
Edison Lobão (PMDB-MA)
Efraim Moraes (DEM-PB)
Epitácio Cafeteira (PTB-MA)
Fernando Collor (PTB-AL)
Geraldo Mesquita (PMDB-AC)
Gilvam Borges (PMDB-AP)
Hélio Costa (PMDB-MG) licenciado (ministro)
João Tenório (PSDB-AL)
José Sarney (PMDB-AP)
Lobão Filho (PMDB-MA)
Lúcia Vania (PSDB-GO)
Magno Malta (PR-ES)
Marcelo Crivella (PRB-RJ)
Maria do Carmo (DEM-SE)
Papaléo Paes (PSDB-AP)
Pedro Simon (PMDB-RS)
Renan Calheiros (PMDB-AL)
Roseana Sarney (PMDB-MA) renunciou para assumir o governo do MA
Sérgio Zambiasi (PTB-RS)
Serys Slhessarenko (PT-MT)
Valdir Raupp (PMDB-RO)licenciado (ministro)
Wellington Salgado (PMDB-MG)

Senadores que assinaram atos secretos quando integravam a Mesa Diretora da Casa:
Antonio C. Valadares (PSB-SE)
César Borges (PR-BA)
Eduardo Suplicy (PT-SP)
Garibaldi Alves (PMDB-RN)
Heráclito Fortes (DEM-PI)
Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR)
Paulo Paim (PT-RS)
Romeu Tuma (PTB-SP)
Tião Viana (PT-AC)

Domingo, 21 de Junho de 2009

Irã: até o regime admite a fraude

Do G1:

O Conselho de Guardiães do Irã admitiu que na eleição presidencial do dia 12 de junho aconteceram irregularidades, segundo informa o site do canal estatal de televisão "Press TV".

De acordo com a nota divulgada neste site, um porta-voz do conselho, Abbas-Ali Kadkhodaei, admitiu que em 50 cidades houve mais votos que eleitores quando falava no canal estatal Irib, no domingo (21).

No total, isso levaria a mais de 3 milhões de votos a mais na eleição. “Ainda está por ser determinado se esta quantidade é decisiva para os resultados da eleição”, disse.

Do blog: 3 milhões de votos mais do que eleitores em apenas 50 cidades? Para sustentar fraude tão vergonhosa, o governo iraniano está matando manifestantes nas ruas. E fica por isso mesmo.

Por celular: o assassinato de Neda

Ela se chamava Neda. Tinha entre 16 e 18 anos. Era uma das milhares de manifestantes nas ruas de Teerã contra a fraude que elegeu Ahmadinejad. Estava acompanhada do pai, que aparece nas imagens com uma camisa azul listrada.

Foi atingida pelo tiro de fuzil de um dos paramilitares do governo fascista.

Morreu diante da câmera de um celular e a imagem está correndo o mundo.

As imagens são chocantes, mas num blog entra e clica quem quiser. Se fosse TV aberta eu editaria, preservando a denúncia, mas evitando o abuso de cenas sangrentas.

Antes que eu alguém acuse o blogueiro de ser contra Ahmadinejad, explico: é verdade. O blog é contra o regime atual e torce por sua queda, provavelmente para ser, depois, contra o novo regime, enquanto o Irã não for um país verdadeiramente democrático.

E "verdadeiramente democrático, sim, significa democrático como são as democracias ocidentais, não teocráticas e não islâmicas.


Por celular: o horror do fascismo iraniano

Paramilitares do governo atiram contra manifestantes em Teerã:

Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

Vovô Sarney, para que este jabá tão grande?

José Sarney disse que não sabia sequer que uma neta e um neto trabalham no Senado.

Imaginemos uma cena provável:

Sarney andando pelos corredores se depara com o neto ou com a neta, talvez os dois juntos.

- Minha netinha! O que você faz aqui? Veio visitar o vovô?

O que a neta responderia?

- Não, vovô, eu trabalho aqui.

Ou mudaria de assunto para não incomodar o vovô com este tipo de miudeza?

Terça-feira, 16 de Junho de 2009

Sarney quer morrer abraçado: que bom!

Sempre que algum grupo do Senado é flagrado em falcatrua explícita, se enche de indignação e, em vez de provar inocência, decide fazer acusações ainda mais graves aos adversários.

Ainda bem!

E assim, quem sabe, a opinião pública conhecerá um dia um décimo das mutretas que acontecem no lupanar.

Da primeira página do Valor:

Sarney prepara contra-ataque a adversários

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e seus aliados mais próximos identificam setores do PT e do PSDB como fonte das denúncias publicadas contra o pemedebista relativas a atos administrativos mantidos em sigilo, que beneficiaram parentes seus, inclusive um neto. Disposto a sair da defensiva, Sarney e seu grupo preparam o contra-ataque reunindo informações sobre os supostos adversários.No PMDB, a avaliação é que as denúncias são mais graves do que as que levaram à renúncia do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) à presidência da Casa, em 2007. O partido teme o enfraquecimento decorrente das novas denúncias, às vésperas da campanha eleitoral.