Voltávamos para o hotel depois de um dia batendo perna por Londres. No caminho, paramos na Edgware Road para botar a correspondência em dia num cyber café. Esta rua é quase toda ocupada por lojas, bares e restaurantes de imigrantes ou filhos de imigrantes árabes, a maioria islâmicos. Como o cyber café não tinha banheiro, minha mulher resolveu atravessar a rua, entrar num bar, comprar uma coca-cola e pedir para usar o toalete.
Péssima idéia.
O dono do bar disse que ela não podia fazer nem uma coisa, nem outra. Tomar coca-cola, na calçada, tudo bem, mas usar o banheiro, nem pensar. Neste como nos outros quatro bares em que tentou entrar, o acesso de mulheres é proibido. Tivemos que correr para o hotel.
Isto aconteceu há quatro ou cinco anos, mas até hoje, quando descrevo como fiquei indignado, sou censurado por alguns dos meus amigos: "Eles têm razão, essa é a cultura deles e tentar impedí-los de preservar seus costumes é uma atitude etnocêntrica".
Como pode ser aceitável que os piores costumes de um país se imponham dentro de outro país? Que diversidade é esta que tem como princípio a humilhação da mulher?
Quatro anos depois do prosaico incidente de que fui personagem, a estação de metrô da Edgware Road foi um dos alvos do ataque terrorista que matou 37 pessoas e deixou 700 feridos.
E também quatro anos depois, filhos de imigrantes islâmicos pôem fogo nos bairros da periferia de Paris onde eles vivem.
3 comentários:
Nào acho que costumes estejam associados a um país ou bairro, mas sim às pessoas.
Por exemplo, São Paulo. Se fôssemos proibir costumes externos à cidade, como se daria a integração do enorme contingente de japoneses, italianos e libaneses? E os nordestinos, que são brasileiros e são alvo de mais preconceito ainda?
(Cito esses exemplos em particular porque em SP vive a maior concentração populacional de japoneses fora do Japão, italianos fora da Itália, libaneses fora do Líbanos e nordestinos fora do NE. Mas poderia citar estadunidenses, alemães e portugueses e fazer o contraponto com bolivianos.)
O que há que se fazer é não tratar essas pessoas como cidadãos de segunda classe e, em paralelo, punir exemplarmente os arruaceiros.
Quanto a costumes ruins, bem, nós mesmos temos os nossos. Lei de Gérson, e Jeitinho, por exemplo. Há alguma resposta a isso?
Diogo:
Em princípio, concordo com o que vc diz. Mas faço uma ou outra ressalva. Por exemplo: é claro que temos que acolher a cultura japonesa, até porque ela é riquíssima e tem muito a nos ensinar; mas e se alguns japoneses entenderem que a Yakuza faz parte da cultura deles?
Os costumes gaúchos, outro exemplo, são bacanas; mas não esqueçamos que aquela gente (e eu sou um deles) tinha o hábito de cortar a garganta dos inimigos, mesmo os que estavam imobilizados.
Tudo bem não concordar com costumes... tudo mal tentar impor os TEUS costumes... ainda mais num país que não é o TEU. Os ingleses lidam com isso de maneira muito melhor do que você, isso eu garanto.
Até aí tudo muito discutível, contraditório, duvidoso... muitos a favor muitos contra.
Agora... fazer um comentário em negrito, sugerindo o "bem feito" pros islâmicos... péssima idéia...
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