Todo político devia ler um livreto chamado "Sobre falar merda" (On Bulshit), do filósofo americano Harry Frankfurt. Todo jornalista também. Descobririam que é melhor calar a boca do que cagar regra (para usar expressão autorizada pelo título do livro) sobre assuntos de que não entendem.
A deputada Denise Frossard, candidata ao governo do Rio e muito querida pela mídia, manifestou-se desta maneira contra um projeto que pune a discriminação de portadores de deficiência e doenças estigmatizantes:
— A deformidade fere o senso estético do ser humano. A exposição em público de chagas e aleijões produz asco no espírito dos outros, uma rejeição natural ao que é disforme e repugnante.
Cesar Maia, prefeito do Rio e outro queridinho da imprensa carioca, disse que a epidemia de dengue que atinge o estado é culpa dos imigrantes nordestinos pobres, que trazem a doença para cá.
E nenhum jornal tratou as duas declarações como escandalosamente preconceituosas. A maioria sequer as noticiou.
Um comentário:
A pouco tempo ví a juiza andando pelo Rio Sul, com o braço na tipóia fosforescente, um terninho feminino pra caralho, com um perfuminho a base de aguarráz, topetinho "a la Itamar" Parecia estar falando sozinha pelos corredores, mas estava na verdade ao telefone com aquele aparato fixado na orelha, tipo robocop. "A deformidade fere o senso estético do ser humano" Ela tem razão.
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