quinta-feira, 29 de junho de 2006

O mal-entendido me persegue

Nada causa tanto mal-entendido quanto a palavra escrita. Devia ser diferente porque, como diziam os bicheiros, aqueles caras que dominavam o crime no Rio antes dos traficantes, vale o que está escrito. Infelizmente, não vale. Há algumas razões possíveis para tanta incompreensão:
  • Escrever mal é a primeira delas e, desgraçadamente, não posso me considerar livre deste problema.
  • Ser irônico em texto geralmente não funciona porque a ironia, sem o olhar e o sorriso sutil de quem a pratica, acaba sendo percebida de forma literal.
  • Escrever às pressas pode atrapalhar e, num blog feito por quem tem outras atividades, por sorte remuneradas, é difícil postar sem pressa.
  • A obsessão por escrever textos curtos, por achar que este é um princípio saudável a ser praticado na internet, também pode criar dificuldades.
  • E a última e mais perigosa das causas é a mais singela: pensar errado nos faz escrever errado, especialmente quando quem escreve procura, sempre que possível, relatar o que pensa, e como pensa - o que é o meu caso.

É por essas e por outras razões que alguns dos meus escassos leitores parecem não me entender. Seria um bom motivo para suspender este blog e tentar outra coisa - talvez um curso de português, quem sabe um analista. Como sou teimoso, vou continuar, contra todas as incompreensões e, o que é pior, a favor delas.

Muita gente está pensando, a partir dos meus posts sobre a Copa do Mundo, que eu tenho posições esdrúxulas sobre futebol:

  • Que eu prefiro o futebol jogado como esporte competitivo em detrimento do futebol praticado com arte e maestria.
  • Que eu gosto de times que jogam com dois ou três volantes ou, como se dizia antigamente, cabeças-de-área.
  • Que eu acho que futebol se vence povoando o meio-campo.
  • Que eu penso que o passe é mais importantes do que o drible.
  • Que eu considero a retomada da bola o princípio fundamental do jogo.
  • Que eu só quero que o meu time vença, mesmo jogando feio.
  • Que ganhar a Copa do Mundo é mais importante do que mostrar ao mundo a arte do futebol genuinamente brasileiro.
  • Que eu admiro o Luiz Felipe Scolari porque ele é tão competitivo que não se importa em mandar o time dele bater nos adversários para impedí-los de fazer gol.
  • Que eu respeito a seleção brasileira de 94, por ter vencido a Copa, e desprezo a seleção de 82, que perdeu com arte.

Aos que me interpretaram desta maneira, eu só tenho uma coisa a dizer: vocês têm razão.

O mal-entendido, aqui, é imaginar que eu deva me envergonhar dessas opiniões, como se elas representassem, em vez de visões sobre um esporte, conceitos de caráter ou de ética.

7 comentários:

Anônimo disse...

boa Marona!

CFagundes disse...

Marona, entendi perfeitamente o futebol que você curte e concordo plenamente. É o que é jogado com duas doses de paixão e meia dose de cálculos.
Quem tem o umbigo frágil pode jogar botão, playstation, ou tentar ser comentarista da rede globo.

Anônimo disse...

Meu time: Dida, Cicinho, Lúcio, Juan e Zé Roberto; Emerson, Gilberto Silva, Juninho Pernambucano e Kaká; Robinho e Ronaldinho. Banco de reservas: Rogério Ceni, Cafu, Gilberto, Ricardinho e Fred.

Anônimo disse...

Em tempo: o Ronaldinho a que me refiro é o melhor jogador do mundo, não é nenhum fenômeno, mas acho que esse time aí em cima deveria jogar em função dele.

Anônimo disse...

Tio,


Não concordo com suas ideias, mas gosto de como você as expõe. Por favor continue assim!

Abraço!

Savio (amigo do Leo)

Marcus Cavalcante disse...

Se avexe não, parceiro. Nenhum leitor seu, por mais machudo que seja, por mais sabença que tenha, pode dizer que você escreve mal. Os juntadores de sílabas é que confundem tema desagradável com texto ruim. E a prova são alguns comentários. Apenas opiniões tropicando nas vírgulas, dormitando nos pontos e fuxicando no sentido.

Anônimo disse...

Vc, escrever mal??? Acho que o problema pe outro: "a inveja mata!
beijos
daise diuana

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