quarta-feira, 28 de junho de 2006

Obsessão por estatística: o TOC do futebol

Na Copa de 90, eu editava o caderno de esportes do Globo e decidi provar que Dunga, ao contrário do que todos diziam, não errava passes. Botei um computador e um monitor de TV numa pequena sala, com dois estagiários encarregados de anotar as ocorrências de cada partida do Brasil: chutes a gol, dribles, passes errados etc.

Conseguimos mostrar, como eu previa, que Dunga era bom no desarme e no passe, mas infelizmente acabei me rendendo a algo que sempre abominei: a obsessão por dados estatísticos como forma de explicar o futebol.

Dezesseis anos e quatro Copas depois, o gosto dos jornais por estatística virou distúrbio obsessivo-compulsivo. A Folha, onde a doença apareceu pela primeira vez, continua sendo o paciente em estado mais grave.

O UOL acaba de publicar um infográfico em que apresenta os confrontos das quartas-de-final à luz dos dados estatísticos e a gente descobre, por exemplo, que a Argentina dribla mais do que a Alemanha. São 16,8 dribles argentinos por partida contra 10,8 dos alemães.

Os números não são arredondados, o que levanta uma dúvida: o índice de 16,8 dribles sugere que um deles foi apenas 80% de um drible. O que é 80% de um drible? E cinco escanteios e meio, índice também atribuido à Argentina? Meio escanteio seria, como diziam os narradores antigos ao se referir a uma falta ao lado da área, "um escanteio de pernas curtas"?

5 comentários:

Marcus Cavalcante disse...

Na mosca, Marona. Futebol, para quem gosta, é uma coisa sem lógica, sem estatísticas, sem análises. Nem sempre ganha quem tem os melhores craques, ou se joga melhor. Já pensou se tivesse lógica? Ninguém ía para os estádios. A Copa do Mundo seria um fiasco. Eu, por exemplo, como não sou muito fã, vejo pelo meu signo qual o time que vai ganhar. É batata. Não erro uma. Nada melhor que procurar numa coisa sem sentido o resultado daquilo que não tem lógica.

Marcus Cavalcante disse...

Em tempo, Marona. Estou comentando a tua paixão no meu blog. Passa lá.

Luiz Carlos FS Marques disse...

Viva o Garrincha!!!!!

Ele é o futebol, o apelido de "Alegria do Povo" é o mais correto que já vi.

O futebol consegue provar que a matemática é inexata.

Cabeça no forno e pé na geladeira corresponde a boa temperatura no umbigo.

E eu sou daqueles que acredito que em pesquisas deveriam se lembrar que a sopa é homogênea, você sabe fácil que o tempero está certo, enquanto na campanha polítca....

Façam suas estatísticas com a razão e não tenham um Dida no gol quando o jogo estava 1 a 0...

Anônimo disse...

Então foi vc que começou com a onda de estatística no futebol? Quer dizer que ninguém havia feito isso antes?
Que pretensão...

Mario Marona disse...

ô anônimo! Leia de novo, bem devagar, e você vai perceber que eu não disse que inventei o uso de estatísticas sobre futebol. O que eu falei - insisto, leia bem devagar, é que em 90 já abominava esta mania, o que significa, portanto, que ela já existia. Disse apenas que também cometi este erro.

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