terça-feira, 29 de julho de 2008

Campanha suja no Rio: falta coragem às autoridades


É sempre a mesma coisa: quando parece que todos estão convencidos de que chegou o momento de pedir ajuda federal para a segurança do Rio, a vontade da maioria empaca na relutância alguns poucos. Nenhuma autoridade tem coragem de assumir o pedido de apoio porque a presença de forças federais no estado significa, do ponto de vista constitucional, uma intervenção, antecedida da admissão de incapacidade do governo de zelar pela segurança pública.
Foi assim no período de Rosinha Garotinho. Continua sendo assim agora, no governo Sérgio Cabral. Todos tiram o corpo fora. O ministro Tarso Genro diz que manda tropas se o governador pedir. O governador, neste caso específico das ameaças à campanha eleitoral, diz que apóia se o TRE pedir. O TRE, por sua vez, diz que a situação não é assim tão grave e que Sérgio Cabral assegurou-lhe que a polícia estadual é capaz de dar segurança à campanha. Não é o que está acontecendo.
Enquanto as autoridades fogem da responsabilidade, os candidatos-bandidos atuam livremente e cuidam de suas dobradinhas. O presidente da Associação de Moradores de Merendiba, que todos chamam de líder comunitário, é candidato a vereador e apóia Marcelo Crivella à prefeitura. Foi na área dele que traficantes intimidaram fotógrafos no fim de semana, quando cobriam a campanha de Crivella.
Pois o tal Claudinho da Merendiba também é candidato a uma condenação por homicídio, do qual é acusado desde 1998, além de furto, tráfico de drogas, agressão a menor de idade e outros crimes menos importantes. Mas certamente tem mais chance de entrar na Câmara Município do do que no Presídio Estadual.
A situação não é séria apenas na capital. Como noticia em manchete o JB, uma juíza eleitoral da Baixada está trabalhando sob proteção de policiais federais.

Nenhum comentário:

Postar um comentário