Meu comentário das 11 e 30 na Rádio Mundial AM1180:
A internet está em polvorosa.
Blogueiros atacam-se mutuamente e procuram envolvidos com o banqueiro Daniel Dantas.
Quem critica o inquérito e o delegado Queiroz é denunciado como amigo de Daniel Dantas.
Quem aponta erros que podem beneficiar o banqueiro é xingado como traidor do povo.
Pois eu critico o delegado, aponto erros e não estou nem aí para eventuais críticas. Nunca vi Daniel Dantas mais magro e nem pretendo. O problema é que os jornalistas são muito passionais e simplistas. Ignoram direitos básicos, quando lhes interessam.
Segundo as regras do direito adotadas no Brasil, não basta flagrar alguém cometendo um delito grave. É preciso abrir um inquérito policial, interrogar todos os envolvidos, encontrar provas técnicas, conseguir testemunhas e provas de que o suspeito cometeu um crime.
Sim, porque até que este inquérito tenha sido feito, o investigado é apenas suspeito. Depois, pode ser indiciado e, se o inquérito estiver muito bem feito e convencer os promotores públicos, poderá se tornar um acusado.
Vejam bem: ele ainda não é criminoso, é acusado.
O promotor deve, então, encaminhar a um juiz a acusação e pedir que o suspeito seja julgado. O juiz pode botar aquela papelada no lixo e recusar a acusação. Mas pode também acolher o pedido e, assim, a vida do acusado se torna mais complicada: ele vira réu e será julgado.
Sabe-se lá quando, mas um dia será julgado.
Digamos que, no julgamento, ele seja condenado. Ainda não acabou. Ele terá a oportunidade de recorrer e pedir novo julgamento em mais duas ou três instâncias até que, tendo perdido em todas elas, seja obrigado a recorrer ao Supremo Tribunal Federal.
A lei não foi feita assim para beneficiar bandidos. A lei é assim para garantir que todos, sem exceção, tenham um julgamento justo e que realmente só os culpados seja punidos.
O que beneficia bandidos é a demora com que tudo isso que eu falei acontece.
E os ouvintes que gostam de fazer uma fezinha podem apostar que Daniel Dantas será beneficiado por esta demora.
A demora já é grande em qualquer processo. Imagine quando o processo está prejudicado por tanta confusão.
Um delegado meio aloprado faz um inquérito que mais parece um discurso político do que uma investigação séria.
Um juiz pede a prisão do banqueiro e o presidente do STF manda soltar.
O juiz prende de novo e o presidente do STF solta mais uma vez.
O delegado é derrubado. A polícia mente que ele saiu para fazer um cursinho. Como se os brasileiros fossem bobos. O presidente da República pede a volta dele e a PF não atende ao pedido.
Dois novos delegados são nomeados e vão ter que começar tudo de novo. Vão fazer um novo inquérito, uma nova investigação. E vão dar tempo para que Daniel Dantas mostre o que precisar mostrar e esconda o que quiser esconder. Isto se não der uma de Salvatore Cacciola e se mandar do país.
A não ser que o material encontrado na parede falsa do apartamento de Daniel Dantas traga alguma novidade muito importante, o que se tem contra ele neste momento é o mesmo que se tinha contra ele há alguns meses atrás.
Não é pouca coisa, mas não foi suficiente para impedí-lo de ganhar bilhões no maior negócio de telefonia já realizado no Brasil.
Alguém vai pedir este dinheiro de volta?
Duvido.
A maneira incompetente como tentam prender o banqueiro pode, em vez de levá-lo às grades, acabar por entregar-lhe um atestado de idoneidade. Este é o erro dos que agem de maneira passional.
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