quarta-feira, 23 de julho de 2008

Eugenia na internet

Meu comentário das 11 e 30 na Rádio Mundial AM1180:

Por apenas 199 dólares, qualquer pessoa pode se inscrever num novo site de relacionamento, lançado na Suiça, que vai procurar entre os demais inscritos alguém que tenha exatamente o mesmo perfil.

Até aí, não parece haver nada de novo.

Mas neste caso, perfil não significam hábitos, gostos, costumes, preferências sexuais ou culturais. Isto todos os sites de relacionamento já fazem.

Nesta nova iniciativa, perfil é semelhança genética.

Quem se increve no site Gene Partner envia pelo correio uma amostra de sua saliva, da qual é extraído o DNA para que o parceiro a ser indicado tenha características genéticas semelhantes.

Segundo o site, os relacionamentos são mais longos e bem sucedidos quando as pessoas envolvidas têm DNA semelhante.

Uma outra empresa, que por incrível que pareça recebeu investimentos do Google, também adota o uso de testes de DNA para qualificar os perfis virtuais e oferece testes por mil dólares.

Os donos do Gene Partner inventaram uma forma original de ganhar dinheiro, mas estão cometendo uma atitude que já desgraçou o mundo.

Estão adotando uma prática científica que tem o nome de eugenia.

O termo eugenia, criado criado por Francis Galton no século passado, é o estudo dos agentes sob o controle social que podem melhorar ou empobrecer as qualidades raciais das futuras gerações seja física ou mentalmente.

O tema é tremendamente polêmico porque foi o fundamento da ideologia nazista da pureza racial, que levou Hitler ao poder e justificou o holocausto.

Os cientistas que trabalharam para o nazismo mediam o formato do crânio das pessoas, assim como de seus ascendentes, para concluir se o sujeito era ariano e representava a pureza da raça alemã.

Os que não se encaixavam nestes critérios, eram tratados como estorvos. E deviam ser expulsos do país, quando tinham sorte, ou simplesmente eliminados fisicamente, como aconteceu com pelo menos seis milhões de pessoas, a maioria judeus.

Em 1933, a lei nazista determinou a esterilização de mulheres e a castração de homens que tivessem problemas físicos, doenças hereditárias, doenças mentais ou que fossem homossexuais.

A limpeza étnica sustentou o genocídio promovido por Hitler.

E não é que 65 anos depois, ainda há muita gente que defende a eugenia! Hoje, não se medem cérebros. A genética deu uma suposta base científica sofisticada a idéias tão estúpidas.

A eugenia já foi adotada como lei em outros países, como os Estados Unidos. E já foi levada a sério também no Brasil.

A teoria contraria o conceito exatamente oposto, segundo o qual nada enriquece mais a humanidade do que a mistura genética. A força genética está mais presente no mestiço, no ser humano nascido da mistura de cores e DNAs diferentes.

O que é, felizmente, uma das maiores qualidades de países como o Brasil.

Somos brancos, negros e mulatos. E devemos nos orgulhar disso.

Mais informações no nosso site http://www.mundial.am.br/ e no meu blog http://www.blogdomarona.blogspot.com/ (sem br).

Amanhã a gente volta.

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