quinta-feira, 17 de julho de 2008

Lula bate na mesa. PF nem liga

Meu comentário da 9 e 30 na Rádio Mundial AM1180:

Ninguém tem mais autoridade no Brasil que o presidente da República, certo?

Errado!

Ou, como nos acostumamos a responder:

Aí depende.

Lula ficou muito irritado com a repercussão negativa do afastamento do delegado do caso Daniel Dantas, deu um soco na mesa, chamou o ministro da Justiça e disse, enérgico:

“Tarso, chame o diretor da Polícia Federal e diga a ele que eu quero este delegado Queiroz de volta ao caso. Ele pediu para sair e ficou parecendo que o governo o derrubou. Não pode!”.

Logo depois, Lula disse aos jornalistas: “O delegado Queiroz só não volta ao caso se explicar publicamente e de livre e espontânea vontade que não quer continuar no trabalho”.

“Pode deixar, presidente!”, deve ter respondido Tarso Genro.

As horas passaram, o dia foi terminando e, à noite, a Polícia Federal emitiu uma nota oficial. Vocês acham que era uma nota para dizer que estava obedecendo ao pedido de Lula? Que nada. A nota confirmava o afastamento de Queiroz e anunciava a nomeação dos dois novos delegados.

Talvez seja este um dos problemas do Brasil. Manda quem pode, mas só obedece quem quer.

Se Lula estava irritado ontem, imaginem como ele deve estar neste momento, tomando café da manhã e lendo os jornais em que ele é descrito como um presidente a quem a PF acha que não deve obediência.

Tarso Genro deve estar preocupado também. O que ele vai explicar ao chefe?

Os jornais já especulam, aliás, que o ministro da Justiça sairá dessa história toda meio chamuscado. A PF é subordinada a ele e, apesar de todo o estardalhaço feito até agora, a verdade é que saiu tudo errado. Daniel Dantas está solto e a crise se transferiu para dentro do governo.

Daniel Dantas está solto, apesar de ter sido aceita denúncia contra ele por acusação de suborno de um delegado da PF. Até agora, parece ser o único crime que pode complicar a vida dele.

Mas desde o início da manhã de hoje temos mais um criminoso notável entre nós.

Mas vejam como a vida de criminoso chique é diferente. Salvatore Cacciola desembarcou no aeroporto Tom Jobim, vindo do Principado de Mônaco, sem algemas, vestido com elegância e, antes de ser levado para o presídio, deu uma entrevista à imprensa na sede da Polícia Federal. Preso dando entrevista coletiva!

Disse que nunca foi foragido. Parece ser mesmo verdade. Quando era dono do Banco Marka, ele roubou 1 bilhão e 600 milhões de reais do Banco Central – de todos nós, portanto – mas foi solto pelo STF, que não o proibiu de deixar o país.

Foi para a Itália e, dois dias depois de ter chegado a Roma, o STF cancelou a liberdade dele. Tarde demais. Cacciola ficou oito anos no bem bom, dono de um hotel em Roma, até que fez a besteira de ir passear em Mônaco, onde acabou preso.

Está de volta.

Seja bem-vindo. Que fique algum tempo na cadeia, pelo menos.

Cacciola foi condenado a 13 anos de prisão, mas tem aquelas coisas, você sabe – é primário, nunca tinha feito nada de errado, não incomodou ninguém, blá blá blá ou, como se diz na minha terra, bi bi bi, bó bó bó...

Daqui a pouco ele consegue liberdade condicional.

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