quarta-feira, 23 de julho de 2008

Por um Rio melhor para as vovós Lurdes

Meu comentário das 9 e 30 na Rádio Mundial AM1180:

Eu não tive a sorte de conhecer os meus avós biológicos. Por isto ando pela vida adotando avós.

Também ando por aí, há quase três décadas, adotando cidades, já que estou este tempo todo longe da terra natal.

Mas posso festejar as minhas últimas escolhas: adotei uma cidade, o Rio de Janeiro; e adotei uma avó, dona Lurdes, que está fazendo aniversário hoje.

Sou apaixonado pelas duas. Só que dona Lurdes só me dá afeto e sorrisos, mas a cidade que adotei às vezes incomoda, cansa, irrita, desanima. É fácil amar uma avó, mas amar uma cidade o tempo inteiro é muito difícil.

Eu sou um pessimista. É um dos meus defeitos. Mas costumo citar aquela velha frase que diz:

"Pessimista é um sujeito que olha para os dois lados da rua antes de atravessar uma rua de mão única."

Só que especialmente hoje, talvez por causa do aniversário de dona Lurdes, vou contrariar o meu próprio temperamento para dizer que as manchetes dramáticas de todos os jornais do Rio são boas para a cidade. Vejam as manchetes:

O Globo: “Deputado de milícia tinha arsenal em casa.”

Jornal do Brasil: “Milícia mandou a currais eleitorais R$ 17 milhões”.

O Dia: “Arsenal de deputado pode estar ligado a 80 execuções”.

Extra: “Alerj deverá manter Natalino na cadeia”.

Sabe por que considero estas manchetes positivas? Porque mostram uma vitória espetacular da polícia do Estado – esta polícia que criticamos tanto quanto comete erros – sobre a máfia das milícias, que domina bairros inteiros e tem ramificações na Assembléia Legislativa e na Câmara Municipal.

Vejam só: a milícia, que já matou quase 100 pessoas em oito anos, tem dois chefes, que não por acaso são irmãos. Um é o deputado estadual Natalino Guimarães, preso ontem com mais cinco comparsas; o outro é o vereador Jerominho Guimarães, que está preso desde dezembro.
Numa operação muito bem planejada, a polícia civil cercou a casa de Natalino ontem, e depois de trocar tiros com os seguranças dele, prendeu o deputado-mafioso e recolheu um verdadeiro arsenal de armas usadas pelos seus capangas.

Apreendeu também o livro-caixa da milícia, que tem os nomes de 43 policiais, bombeiros e até militares do Exército que ganhavam “semanada” da máfia miliciana. A prisão de todos eles vai ser pedida nos próximos dias.

O sucesso da operação de ontem significa que o Rio vai superar suas dificuldades? Claro que não. Mas deve ser celebrado. A sociedade do Rio precisa se dar conta de que vive uma guerra – contra o tráfico, contra as milícias, contra a polícia corrupta, contra os políticos canalhas... Uma guerra é feita de batalhas. Quem vence as maiores e as mais importantes batalhas acaba vencendo a guerra.

A batalha de ontem nós vencemos.

Acumulando vitórias, mesmo que venhamos a perder uma batalha aqui e outra ali, mas vencendo as batalhas mais importantes, quem sabe não estamos no caminho de construir uma cidade melhor, para vó Lurdes, para todas as avós, filhos, filhas e netos que nasceram aqui ou escolheram viver e morrer aqui?

Não é otimismo, não. É necessidade de acreditar em alguma coisa. Do contrário, nada valerá a pena.

Daqui a pouco eu volto e, antes que eu me esqueça: parabéns, vó Lurdes.

2 comentários:

Anônimo disse...

Linda homenagem! É impressionante a sua faclidade em fazer textos criativos e com muito conteúdo.
Parabéns!

Re disse...

Marona,
Ótimo texto !

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