quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Cáucaso: medo em papel, alívio na web



A não ser pelas indispensáveis, mas infelizmente raras boas matérias de análise, é quase impossível acompanhar uma guerra como esta do Cáucaso pela imprensa escrita. As chamadas de primeira página chegam à mesa do café da manhã frias, requentadas e sem gosto.
Os jornais brasileiros noticiam hoje que, 12 horas depois de ter aceitado o cessar-fogo, a Rússia rompeu o acordo e entrou Geórgia adentro com colunas de tanques que teriam chegado aos arredores da capital, Tiblisi, depois de ocupar a cidade natal de Stalin, Gori. A notícia está no pé da primeira página do Globo e no alto da capa do Estadão.
Os jornais relatam que os Estados Unidos reagiram duramente e que Bush mandou Condoleezza Rice para Tiblisi. Em Paris, antes de encontro com Sarkozy, a dama de ferro do governo americano foi dura:
- Não estamos em 1968, quando se podia invadir capitais de países europeus e ficar impunes - afirmou Condoleezza, numa referência muito bem lembrada à repressão da União Soviética à Primavera de Praga.
Este blog, que desde o início do conflito do Cáucaso manifestou indisfarçável compreensão com a posição da Rússia, começava a reavaliar sua posição, quando terminou o café e abriu a internet. Eis a manchete do G1:
"Conflito armado
Rússia começa a passar o controle de cidade estratégica à Geórgia
Tropas russas permanecem em Gori, mas permitem a entrada de policiais georgianos"
Ou seja: não era bem isto.
É bem verdade que a matéria da enviada especial especial do Globo à Geórgia, Vivian Oswald, já diminuía o estresse da chamada e da manchete de página, como mostra este trecho em que ela escreve sobre o possível cerco a Tiblisi:
"Na capital, é como se não acreditassem na possibilidade de um ataque. Na verdade, nem mesmo o governo parece contar com esta hipótese."

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