segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Metralhadora do tráfico do Rio pode derrubar avião

A ótima reportagem de Antonio Werneck no Globo de hoje confirma como realidade um dos maiores pesadelos da polícia do Rio: os traficantes da cidade estão recebendo metralhadoras calibre .30 modelo Lehky Kulomet ZB, de fabricação Tcheca, desviadas do Exército da Bolívia.

No primeiro semestre deste ano já foram recolhidas com traficantes nove destas armas. No ano passado, a polícia conseguiu tomar dez metralhadoras .30 do tráfico. A arma dispara 50 tiros automaticamente, sem interrupção, atinge o alvo a 1.500 metros de distância e é capaz de abater aviões e helicópteros em pleno vôo.

A .30 chega ao Rio através do Paraguai. Entra pela fronteira com o Paraná, cujo controle deveria ser exercido por forças federais.

Como os traficantes utilizam a metralhadora a partir de pontos altos das favelas que dominam, tornam quase impossível o ataque da polícia. Já foram apreendidas metralhadoras .30 nas seguintes favelas: Complexo do Alemão, Morro do Dendê, Morro da Mineira, Dona Marta, Manguinhos, São João e Pavão-Pavãozinho.

E o secretário nacional de segurança pública, Ricardo Balestreri, acaba de afirmar que não vai mais liberar recursos para a polícia do Rio comprar fuzis. Ele exige que a polícia utilize armas não-letais.

Este blog gostaria muito de ver Ricardo Balestreri no comando de uma operação em qualquer favela do Rio em que os traficantes disponham desta e de outras armas altamente letais. Mas na retaguarda não vale. Na linha de frente, liderando uma tropa com balas de borracha.

4 comentários:

Jorge Antonio Barros disse...

Marona,
Com o maior respeito por sua trajetória jornalística, gostaria de ponderar algo em defesa do secretário nacional de Segurança Pública. O Ricardo Balestreri não exige que a polícia use apenas armas não-letais, mas está apenas incentivando seu uso. As polícias podem usar todas as armas aprovadas pelo Exército. O uso de armas não-letais é uma tendência mundial com o objetivo de se reduzir a letalidade da ação policial. A polícia do Rio é uma das que mais mata e mais morre. Os últimos números são de 1.200 casos de autos de resistência (mortes em confronto) no Rio. E o pior é que muitas dessas vítimas são inocentes e nunca tiveram passagem pela polícia.
Grande abraço
Jorge

Anônimo disse...
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Mario Marona disse...

Neste caso, com todo respeito que tenho por você e pelo Globo, pergunto porque vocês publicaram esta frase do secretário Balestreri: "Daqui não sai mais um tostão para compra de armas que nós consideramos inadequadas para o uso policial em meio urbano, porque são armas de guerra".
Se ele não vai liberar dinheiro para fuzis, ele está vetando, dentro do seu alcance e do seu poder, a compra de armas letais indispensáveis para a polícia - do Rio e de qualquer cidade deste tamanho. Esta fazendo mais do que "estimular" o uso de armas não-letais. Esta destinando sua verba, importante para o Rio,apenas para armas nao-letais. Ou ele não falou o que foi publicado? Quanto a redução da letalidade da polícia, tbém defendo, desde que se reduza a letalidade do bandido, antes de mais nada.

Jorge Antonio Barros disse...

Obrigado pela resposta, Marona. Faltou então vc acrescentar que o Balestreri não vai liberar verbas para isso, mas não tem poder de vetar diretamente. Se o governo do estado julgar importante que adquira as armas pesadas por seus próprios meios.

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