Deve ser por isto que eu não consigo encontrar relação direta entre a opinião da mídia gaúcha sobre Anderson Pico, por exemplo, e a realidade do futebol que ele costuma mostrar em campo. Este menino de pouco mais de 18 anos, baixinho e troncudo, é muito parecido com o Paulo Cesar Vasconcelos, comentarista do Sportv, só que tem uma vozinha ridícula e provavelmente joga pior.
Para ser mais exato: Anderson Pico não joga nada. É um lateral que não defende bem porque é facilmente driblável e se posiciona mal. É um ala que não ataca bem porque raramente consegue completar um drible e fazer um passe ou cruzamento preciso. Chuta com os dois pés, mas chuta mal com ambos. Se comporta em campo como uma imitação barata de Roberto Carlos, aquele do meião na Copa de 2006. Muito estilo, caras e bocas, um certo espalhafato e raras jogadas realmente úteis e conclusivas.
Mas é muito moço, talvez ainda se torne um bom jogador, e conta com uma tolerância infinita da imprensa gaúcha, que o adora. Comentaristas exaltam até mesmo sua capacidade de jogar a bola com as mãos dentro da área adversária, embora eu não saiba se algum gol do Grêmio nasceu deste tipo de gesto. É capaz de fazer um gol de vez em quando - e muito de vez em quando - como Roberto Carlos fazia. E só.
Ontem, contra o Flamengo, Anderson Pico não completou uma única jogada, não acertou um único drible e não bloqueou uma único ataque do adversário pelo lado do campo que ele deveria chefiar. É verdade que, do outro lado e também jogando como ala, Souza abriu uma avenida para o lateral Juan. No entanto, Souza é um jogador de alta qualidade técnica e fez um belo gol de falta.
Pode ser, mas eu duvido, que depois de duas ou três derrotas a imprensa gaúcha, especialmente a gremista, comece a descobrir algumas coisas sobre este time do Grêmio:
- que o esquema tático deve ser 4-4-2, com dois zagueiros, dois laterais de verdade, dois volantes e Souza e Tcheco como apoiadores;
- que é estranho um técnico estar perdendo por 1 a 0 e trocar, no intervalo, um atacante por outro volante, como aconteceu ontem, com a entrada de Makelele no lugar de Perea;
- que Celso Roth de 2008 é, afinal de contas, o Celso Roth de sempre, que nunca deu certo como técnico do Grêmio ou do Inter e que, com tanta experiência, nunca conseguiu incluir um título nacional em seu currículo.
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