O motorista Irenaldo Rocha e o cobrador do ônibus que ele dirige, da Viação Tinguá, linha Austin-Central, já sabem quem manda no Rio.
Ao chegar a rodoviária Novo-Rio, tarde da noite, o único passageiro do ônibus puxou uma pistola, apontou para Irenaldo e disse:
- Toca para o Morro do Pinto.
- Onde fica? - perguntou o motorista, mais acostumado aos bairros de Nova Iguaçu.
- No Santo Cristo, a mais ou menos cinco quilômetros daqui.
Na entrada do Morro do Pinto, o seqüestrador se despediu, desceu e foi para casa. Não roubou nada, não cometeu nenhuma outra agressão além de manter uma arma apontada para o motorista.
O bandido que seqüestrou o ônibus não é, claro, o único dono do Rio. Neste seleto núcleo de poder devem ser incluídos os flanelinhas que, liderados por seu "sindicato", decidem quem tem direito de cobrar pelo estacionamento nas ruas da cidade.
A situação dos flanelinhas é privilegiada em relação ao traficantes. Estes últimos são atacados pela polícia, de vez em quando. Os flanelinhas estão imunes à ação policial. Intimidam, praticam extorsão, seqüestram o espaço público, ameaçam agredir motoristas e fica por isso mesmo. Só conhecem repressão quando, sem o colete de guardador, voltam a ser apenas traficantes.
Não há autoridade que tenha coragem de enfrentar os flanelinhas.
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