terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Devolvam o meu 'Globo há 50 anos'

Editor de esportes do Globo na virada dos anos 80 para os 90, cometi alguns erros pedagógicos (alguns acertos também, é claro!). Um dos erros foi retirar abruptamente das páginas a cobertura diária de turfe, sem nenhum aviso prévio aos leitores - poucos, acreditava - daquele espaço.

A editoria foi soterrada de cartas (sim, meus caros, escrevia-se carta naquela época pré-histórica) de amantes do turfe, indignados com a decisão de extinguir um assunto que eles buscavam todo o dia no jornal.

Não promovi uma reabilitação do turfe. Mantive o assunto limitado à programação das corridas, como acontece até hoje. A penitência, que paguei com gosto - já que também sou fã dos cavalinhos - foi cobrir com enorme destaque o Grande Prêmio Brasil que se seguiu à briga com os leitores. Cobrimos tão bem que mereci críticas de Falcão, técnico da seleção brasileira, que reclamou com um repórter do Globo do pouco espaço que "aquele gaúcho gremista" dá ao futebol, em benefício do turfe.

Foi um exagero, admito, mas ficou bonito e teve alto índice de leitura. Maior que o da chatíssima seleção do Falcão, que se dedicava na época a provar que Cafu era um craque que sabia cruzar - luta que ele perdeu, como se sabe.

Hoje, quando corro à penúltima página do Segundo Caderno, me senti órfão de uma seção que nunca deixei de ler, desde o tempo em que era escrita por Argeu Afonso: "O Globo há 50 anos". No seu lugar, há uma matéria sobre cinema polonês. Não sei dizer se a coluna sobre a memória do Globo, na verdade uma memória da história do Brasil, deixou de ser publicada porque o jornal não teria circulado neste dia, há 50 anos. Não sei se extinguiram a coluna.

Se foi a primeira hipótese, deviam ter avisado. Se foi a segunda, cometeram um erro mais grave do que o meu, ao abolir o turfe no início dos anos 90. O interesse, supostamente, é maior. Mas é o hábito de leitura que deve nortear este tipo de seção.

Colunas, seções, espaços especificos devem ter espaço fixo nos jornais. Sempre na mesma página e no mesmo lugar da página. O leitor não pode ser obrigado a folhear o jornal em busca daquilo que gosta de ler. E menos ainda ser surpreendido com o sumiço de uma seção que ele gosta de ler.

Um comentário:

Argeu disse...

Meu caro Marona. A culpa é minha pois só hoje soube (e tive o prazer de conhecer) o teu blog. Por acaso, lá no mês de fevereiro, tiveste a gentileza de lembrar como eu fazia o "Há 50 anos". Era um trabalhão danado (14 ou 15 notas telegráficas diárias) colocando notícias de todos os setores de meio século. Mas eu gostava (e acho que gostavam). Agora, não sei se pela premência do tempo, a coluna põe dois ou no máximo três períodos longos e estamos conversados. Modéstia à parte, perdeu todo o encanto. É só comparar. No mais, grato pela lembrança sempre cordial, abraça-te o amigo de sempre Argeu.

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