segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Perfil: quem me elogia é pior que eu

Um velho amigo de lides trabalhistas é dono de um endereço muito popular na internet no Rio Grande do Sul, que leio diariamente: www.previdi.com.br. Ele me cita de vez em quando, pra encher linguiça sem trema. Hoje, publicou um daqueles questionários cujas respostas formam uma espécie de perfil de quem responde. Como não pretendo poupar os leitores do blog das bobagens que publico em outros endereços, reproduzo aqui minhas respostas:





Mário Marona é meu nome.
Embora o Scotto espalhe por aí que nasci na Vila Rio Branco, em Canoas, na época em que tinha enchente de dois em dois meses, preciso corrigir esta calúnia: nasci na em Porto Alegre, na Santa Casa. A Vila Rio Branco foi uma opção de vida, quando já era adolescente. Uma escolha, entende? Quem tem biografia é gente importante. Eu tenho arquivo: casado, pela terceira vez, um filho do primeiro casamento que, fisicamente, é igual a mim, mas mais inteligente - até escritor virou, o que eu sempre quis e nunca consegui ser. Sou fazedor de lides engraçadinhos. Trabalhei o suficiente para encher o saco e três carteiras de trabalho, quando ainda existia carteira de trabalho para jornalista.



- O que mais gosto de mim:
Minha arrogância e um certo desprezo pela humanidade. Considero que quem me elogia não tinha opção porque é pior do que eu. Isto me tornou tremendamente crítico em relação a mim mesmo, o que acho saudável.



- Sou insuportável quando:
Tento parecer bonzinho, humano, generoso e compreensivo. Tenho certeza de que alguém vai desconfiar que é fingimento ou sinal de fraqueza.



- Fico tiririca:
Por qualquer coisa. Minha mulher me chama de “Seu Saraiva”. Mas me irrito especialmente com gente muito burra. Mais ou menos burra eu aceito, porque é o meu estado mental.



- Esporte que gostaria de fazer:
Nenhum. Prefiro assistir.



- Como (alimento) de consciência pesada:
Atualmente, até barrinha de cereal não dietética. Estou de dieta. Meu jantar, ontem, foi pão de cenoura com queijo cottage e peito de peru defumado, e um iogurte de ameixa de sobremesa. Piriri garantido.



- Uma mulher (ou homem) que é um sonho:
A minha, sempre. Porque mulher boa, pra mim, sempre foi a que eu tive. E porque não sou besta de falar outra coisa. Pão de cenoura e queijo cottage e ainda sem sexo de vez em quando é suicídio.



- Uma noite de amor inesquecível:
Ontem. Aos 54, com cérebro esmerilhado, a memória começa a falhar.



- Vi pela primeira vez pelado(a):
Meu pai. Foi um choque. Até porque minha mãe também estava. Nunca me recuperei.



- Um país, fora o Brasil:
Itália, França, Inglaterra, Holanda (me passa o mapa mundi aí).



- Uma cidade, fora a que mora:
Paris e Porto Alegre. A segunda, explico, é puro atavismo.



- Gramado é:
Uma delicia, por dois dias, porque dá pra sentir frio quando se mora no Rio e não se tem grana para viajar pra Europa no inverno. 



- Tramandaí é:
Quando criança, frequentava a Região Metropolitana de Tramandaí (Pinhal, Imbé, Santa Terezinha, coisas assim) e adorava quando íamos à capital. Achava o máximo aquele negócio de playboys de carro fazendo a volta na rua principal, indo e voltando, pra arrumar um broto (naquela época era broto). Gastavam um tanque andando ali. Bacana.



- Fronteira é bom para:
Atravessar.



- Uma maravilha em Porto Alegre:
Sou do tempo da empadinha lá do alto da Rua da Praia, do tatu recheado do Gambrinus, do rascateli com vitela do Copacabana, dos amigos em volta de uma mesa no Pedrini. Nem sei se essas coisas existem.



- Um pesadelo em Porto Alegre:
Aquele período em que o calor começa, o frio está acabando, e o ar fica tão úmido que escorre água pelas paredes do apartamento.



- Porto Alegre merecia um(a):
Porto como o de Barcelona ou Buenos Aires, uma orla toda ocupada por prédios bonitos e modernos, residenciais ou de escritório. Enfim, a ocupação ordenada da beira do Guaíba, que do jeito que é não serve pra nada.



- O pior livro que li:
Não li. Quando acho ruim, paro logo. Mas lembro que tentei várias vezes atravessar Os Sertões e não consegui. Chato demais.



- O pior filme que vi:
Desde que apareceu a TV por assinatura, qualquer filme pode ser visto sem irritação. Mas não gosto de diretores pretensiosos, afetados ou superestimados, como Tarantino, Oliver Stone, Lars Von Triers, vários brasileiros, alguns gaúchos (não vou entrar no Google pra lembrar os nomes).



- A pior música que escutei:
Qualquer música baiana, qualquer funk dos morros cariocas – duas excrescências, a segunda defendida por antropólogos como se fosse emancipadora. O cacete!



- Um bom programa de TV:
Os programas de viagem de Anthony Bourdon, no Travel and Living. Pena que repete muito. Aqueles programas trash dos canais comunitários são divertidíssimos.



- Um bom programa de rádio:
Sala de Redação.



- O melhor jornal do RS:
Há 25 anos fora, não faço idéia. Folha da Manhã?



- A melhor revista:
Não sabia que tinha alguma revista além da Press aí.



- Três brasileiros nota 10:
Cito cinco: Dom Pedro II, Getúlio Vargas, Leonel Brizola, Fernando Henrique e Lula.  JK não entra por implicância.



- Três atores/atrizes nota 10:
Laurence Olivier, Peter O’Toole, Michael Caine. Três recentes: Frank Langella, em Frost Nixon;  Mickey Rourke, em O lutador; Kate Winslet, em O leitor.



- Três jornalistas nota 10:
João Rath, Evandro Carlos de Andrade, Luis Figueiredo. Os vivos, prefiro não citar. Eles vão ter que esperar um pouco.



- Não fiz e me arrependo:
Aceitar emprego de operador de telex num navio mercante quando tinha 15 anos e trabalhava no Banco da Bahia. Passaria oito meses por ano viajando.



- Ainda vou fazer:
Passar seis meses do ano no Brasil e seis anos no exterior sem me chamar Luis Fernando.



- Sou feliz:
Sou neurótico.



- Uma grande frase/ditado:
Caralho! (Em 38 diferentes entonações)




2 comentários:

Upiara Boschi disse...

Comi vitela no Copacabana há dois meses. Bacana, lá.

João disse...

10 abaixo de zero pelo menos três dos cinco que seriam três

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