Aos treze anos, me apaixonei pela professora de matemática do Júlio de Castilhos, em Porto Alegre, onde fazia o primeiro ano do ginásio. Detestava matemática, mas adorava aquela senhora (sim, para mim era uma senhora) de pele clara e cheia de sardas, óculos de fundo de garrafa e umas pernas - ah, que pernas! - que eu fitava cada vez que fingia derrubar a borracha no chão apenas para enxergá-las por um ângulo mais favorável.
Nunca me deu bola, pelo contrário, vivia me punindo por levantar apressadamente assim que a campainha tocava avisando do fim da aula. Resultado: passava o recreio fazendo exercícios de álgebra. Mas eu tinha certeza de que os castigos eram um sinal inequívoco de que ela também me amava.
Agora, nos Estados Unidos, uma professora quase pegou 30 anos de cadeia porque comeu um aluno, de 14 anos. Só escapou porque fez acordo com a família da vítima. O caso veio a público porque o guri contou tudo para os pais.
Não podia imaginar que um dos meus maiores sonhos de infância acabaria dando cadeia.
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