Edmundo fez um gol com a mão, ontem, no jogo do Palmeiras contra o Mogi, muito parecido com aquele do Maradona na Copa de 86. O juiz não viu, apontou para o centro do gramado e já estava pronto para reiniciar o jogo quando foi chamado pelo bandeirinha, que o alertou para a irrregularidade. Até aí, tudo bem. É assim que funciona: o juiz pode corrigir um erro de interpretação com auxílio dos bandeirinhas.
A novidade do episódio de ontem é que o bandeirinha também não tinha visto o toque de mão de Edmundo e só pôde tomar uma atitude porque foi informado da irregularidade por um repórter da TV Globo. Como diz o Estadão, na matéria de hoje: "O difícil para quem estava no estádio ou vendo a partida pela TV era saber como o auxiliar, do outro lado do campo, viu o que o juiz não viu de perto".
Há quem defenda que a Fifa autorize no soccer o que já acontece no futebol americano: os juízes podem interromper a partida para verificar eventuais irregularidades assistindo ao vídeo das jogadas. Eu tenho até simpatia por esta idéia e por qualquer medida que estabeleça justiça no cumprimento das regras.
Mas enquanto isso não acontece, não me agrada ver um repórter de televisão roubando um gol do meu time, ainda que o gol tenha sido roubado. A regra é clara: juiz e bandeirinhas devem errar sozinhos, sem interferência de terceiros. A não ser que a Globo, detentora dos direitos de transmissão dos jogos, tenha assumido também o direito de dirigí-los e de interferir nos seus resultados.
Em tempo: é claro que a Globo nega que isso tenha acontecido ontem; é claro que o bandeirinha também desmente; fica só a palavra do Edmundo, que não chega a ser lá um poço de virtude e credibilidade.
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