Chefe de reportagem da Rádio Gaúcha, em Porto Alegre, eu coordenava um plantão no dia de finados, no final da década de 70, e uma das poucas tarefas daquela segunda-feira chuvosa e chata era botar no ar, de hora em hora, um boletim sobre o movimento nos cemitérios, para o qual a emissora obtivera o patrocínio do Banco Habitasul.
A repórter designada para o boletim lia o seu texto do carro da rádio e estava instruída a encerrar a participação, sempre, com a frase:
— Gaúcha e Habitasul no dia de finados.
Simples, não requeria prática nem habilidade, mas a moça esqueceu do texto nas duas primeiras entradas. Orientei a repórter a escrever o encerramento num papel, para não esquecer mais. No boletim seguinte, o Rio Grande do Sul inteiro pôde ouvir:
— ... o preço das flores aumentou em pelo menos 100 por cento. Mesmo assim, milhares de gaúchos depositaram suas homenagens nos túmulos do cemitério João XXIII. Gaúcha e.... Gaúcha e.... puta que o pariu, cadê o papelzinho que tava aqui!
Um comentário:
Ah! É prá contar? Então tá: estava de castigo na RBS TV como editor-chefe do TV Mulher, cobrindo férias, no verão de 1984. Como precisava chegar as 5h30 da manhã e escrever os editoriais do Bisol e da Maria do Carmo (apresentadores), achava mais fácil não dormir. Àquela época eu era um cara muito festeiro (ho!ho!) Só que um dia a festa foi muito boa e cheguei em cima do laço. Em vez de escrever o editorial, copiei o da Zero Hora, sem ler. Quando o programa começou, meio dormindo, vi que o Bisol lia contrariado o texto, fazendo caretas e resmungando. Ao final do bloco desci do suite para o estúdio e perguntei: qual o problema? A resposta: -porque estou lendo o editorial do Correio do Povo criticando a atuação da RBS na negociação política para escolher o presidente da Assembléia Legislativa!! Como se pode imaginar, fui vítima e protagonista de uma grande cagada. Como não li os jornais, pedi a minha jovem assistente de produção o editorial já redigido para os apresentadores. Ela por engano ou sono, redigiu o do concorrente, que nunca teve tanta audiência no RS. O nome dela? Nem sob tortura!! Além de atualmente ser grande produtora de TV, é minha querida amiga! Mas que vexame. Até hoje bebemos lembrando disso..
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