quarta-feira, 14 de junho de 2006

A imprensa esportiva estreou de salto alto

O susto estampado nas páginas dos jornais de hoje por causa da vitória apertada do Brasil sobre a Croácia é conseqüência da superficialidade da própria mídia. Os jornalistas não perceberam o óbvio e deram asas à tese de que seria barbada.

Não souberam julgar com isenção o estado de Ronaldo. Renderam-se à versão oficial da comissão técnica e do próprio jogador e, como se escrevessem um press realease, fizeram o país acreditar que Ronaldo não está gordo nada - que é isso? - é só força muscular, e que, em forma ou não, ele iria arrebentar, como fez na Copa de 2002. Recusaram-se a ver o que era evidente: com bolhas no pé ou não, o principal atacante brasileiro está muito aquém da condição física exigida de um atleta para disputar a Copa.

Depois de terem propalado a tese de que o Brasil dispõe de um quadrado mágico imbatível, convenceram-se de que isto é verdade - e não apenas uma tese - e de que, em nome da alegria, a marcação no meio do campo pode ficar em segundo plano. Resultado: Adriano, que já não chega a ser um gênio no ataque, teve que se transformar num semi-cabeça-de-área, recuando para marcar os adversários, e Emerson e Zé Roberto ficaram sobrecarregados diante do meio-campo e do ataque croatas - de tal maneira que o gaúcho acabou levando um cartão amarelo.

Os jornalistas, pelo menos a maioria, também desdenharam dos resultados das grandes seleções na primeira rodada da Copa. Enxergaram nas vitórias apertadas dos outros demonstração de que são frágeis e não representam ameaça a mais um título brasileiro.

Para uma parte da mídia, o jogo de ontem foi um choque de realidade.

4 comentários:

CFagundes disse...

E as tonturas do Ronaldo, o que vc acha dessa nova novela das 13h?

Luiz Carlos FS Marques disse...

Marona, releva, o primeiro jogo é quando todos colocam o pau na mesa prá ver quem tem o maior...
A coisa fica preta no segundo jogo, onde vale a qualidade e não a quantiodade. O tamanho não faz mais a diferença. O que vale é o prazer de quem satisfaz.

Tudo será novidade no segundo jogo, até o Ronaldo jogar um bolão e fazer alguns gols.

Agora eles colocaram os pés no chão, viram que são mortais iguais aos outros e que depende deles a coisa.

A conferir...

Mario Marona disse...

lc:
não sei não, mas essa história de que tamanho não faz diferença é papo de mulher generosa e condescendente com o homem que ama. Tenho impressão de que muitas delas, se pudessem falar a verdade sem magoar seus parceiros, gostariam de ver, para usar a sua metáfora, a coisa preta.

Mario Marona disse...

criatiano:
o que eu acho e já disse é que o Ronaldo é um irresponsável. Sabia que tinha uma Copa do Mundo pela frente e que o Brasil dependia dele e não se preparou adequadamente. Como é um mimado - o Scolari foi o primeiro a dizer isso - faz beicinho e passa mal quando lhe cobram o cumprimento do dever.

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