Finalmente, uma boa notícia: Parreira admite abrir mão do quadrado mágico e reforçar o meio do campo, opção pela qual este blog vinha se batendo há algum tempo. O quadrado é uma ótima opção para modificar taticamente o time quando a seleção estiver perdendo ou empatando contra retrancas inexpugnáveis. Mas não é a melhor solução para jogos contra seleções qualificadas, como as que teremos pela frente nas próximas fases da Copa.
Parreira diz que pode experimentar Juninho ou Gilberto Silva no meio do campo, no lugar de Ronaldo, empurrando Ronaldinho Gaúcho para o ataque. As duas hipóteses são boas - a primeira, com Juninho, mais técnica e ousada, a segunda, com Gilberto Silva, um pouco mais cuidadosa. Ambas, no entanto, podem dar certo.
Com Juninho, o time ganha simetria na área mais importante do campo: Emerson fica no centro de um triângulo que teria o próprio Juninho pela direita e Zé Roberto pela esquerda. Com Gilberto Silva, Emerson abre um pouco mais pela direita, se torna mais ofensivo, e Zé Roberto fica ainda mais liberado para apoiar Ronaldinho Gaúcho e Adriano no ataque - como costuma fazer no futebol alemão.
A maior vantagem é a libertação de Ronaldinho e Adriano. O primeiro fica livre para atacar e beneficiar com seus passes Adriano e os laterais, que também se tornarão mais ofensivos, já que estarão protegidos por dois volantes. Adriano, por sua vez, pode ocupar exclusivamente o espaço em que se sai melhor - a área adversária.
É claro que o ideal seria, em vez de Adriano, um Ronaldo bem disposto. Mas, a não ser que o gordinho nos faça morder a língua, isto parece improvável.
Para quem acha que abrir mão do quadrado é um retrocesso ou, pelo menos, um abandono da tática ofensiva, respondo: pelo contrário. Quem acompanha os campeonatos europeus, sabe muito bem que Juninho, na França, Zé Roberto, na Alemanha, e Ronaldinho, na Espanha, são jogadores de perfil ofensivo, e só não se tornam artilheiros dos seus times porque dão prioridade aos passes decisivos para os atacantes. Mesmo assim, tal ressalva não se aplica a Juninho, o segundo artilheiro de sua equipe.
Além disso, com o meio de campo reforçado e bem ocupado, o Brasil ataca melhor porque recupera a bola rapidamente, troca passes com eficiência e abastece o ataque com criatividade.
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