Foi preciso que eu revisse a final da Copa de 70 entre Brasil e Itália duas décadas depois para constatar algo que jamais admitiria em qualquer discussão: o primeiro tempo foi de uma chatice insuportável: jogo lento, enfadonho, sem agressividade. De dar sono quando visto fora do seu tempo e do seu contexto.
Trinta e seis anos depois, a maioria dos comentaristas de jornal e televisão lamenta o que seria um mau começo de Copa do Mundo, na Alemanha. A dona da casa, burocrática como sempre; a Inglaterra, sem criatividade; a Holanda, longe do que dela se esperava; Portugal, acomodada com um gol logo no início da partida; a Argentina, lenta como um cágado.
Esperam grandes espetáculos na primeira rodada da fase eliminatória. Ignoram o fato de que, para todas as seleções que pretendem avançar às oitavas-de-final, o que realmente importa é vencer a primeira partida. No primeiro tempo de seus jogos, Alemanha, Holanda, Argentina e Portugal mostraram que têm qualidades para enfrentar qualquer adversário. Menos para enfrentar o Brasil, talvez, caso se confirme, amanhã, a colossal superioridade que os mesmos comentaristas atribuem à nossa seleção, ainda que não a tenham visto jogar.
Mas o Brasil não é assunto para nenhuma dessas seleções, no momento. Será, para uma ou duas delas, apenas um acidente de percurso, mais tarde.
Ao contrário dos especialistas que estão na Alemanha, eu vi qualidades nos donos da casa, dos quais esperava muito menos; vi um primeiro tempo bastante bom da Holanda; vi uma Argentina repleta de talentos e um Portugal bem armado e disposto e fazer um bom papel na Copa; e continuo achando que da Inglaterra se pode esperar mais. Mas o mais importante foi ter visto que os favoritos, bem ou mal, fizeram o que tinham que fazer: venceram.
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