
A mídia americana está apaixonada por Barack Obama. O eleitorado declara em pesquisas que a imprensa está perdendo a isenção na cobertura da campanha presidencial. John McCain está irritadíssimo, é claro, e faz ironias com este casamento no seu site, como indica a figura acima. A matéria do Correio Braziliense explora o assunto.
(E antes que alguém me pergunte: não gosto de Obama e, se fosse americano, pensaria em anular o voto).
De Isabel Fleck
“É bem evidente que a mídia tem uma fascinação bizarra por Barack Obama. Alguns dizem até que é um caso de amor.” A frase está na página principal do site do candidato republicano à presidência dos Estados Unidos, John McCain, e faz parte de uma ação desesperada com o propósito de chamar a atenção dos eleitores para a cobertura das eleições na mídia americana.
A preocupação do republicano é compreensível. Desde que o rival se declarou o candidato democrata à Casa Branca, no começo de junho, McCain foi citado com relevância em 51% das matérias sobre a eleição de novembro. Obama teve destaque em 78% do noticiário, de acordo com a organização de pesquisa Projeto pela Excelência no Jornalismo, sediada em Washington. Na televisão, o cenário parece ser ainda mais complicado para o veterano senador. Uma pesquisa publicada no jornal britânico The Times mostra que, desde junho, as três principais emissoras americanas — ABC, CBS e NBC, que juntas possuem 20 milhões de telespectadores — já destinaram 114 minutos de cobertura para Obama e apenas 48 para McCain. A tietagem foi confirmada quando essas mesmas redes de TV escalaram seus âncoras para acompanhar a viagem do democrata ao Oriente Médio e à Europa, de onde apresentaram os principais noticiários dos EUA. Para essa mesma viagem, cerca de 200 jornalistas pediram credenciamento junto à equipe de Obama, mas pouco mais de um quinto deles pôde fazer parte da comitiva que está acompanhando o candidato. Já na visita recente de McCain à Colômbia e ao México, apenas duas redes de televisão mandaram enviados especiais — e nenhum deles era âncora.
Ontem, a equipe de McCain revelou que o jornal The New York Times rejeitou um artigo do candidato, que seria a réplica a um artigo de Obama sobre o Iraque, publicado pelo NYT na semana anterior.
A resposta do republicano ao aparente privilégio dado ao opositor veio por meio de uma “denúncia” que, segundo a campanha, “poderia ser engraçada, se não fosse séria”. Em um e-mail enviado aos partidários do republicano, a equipe do candidato convida o internauta a votar em um dos dois vídeos que mostram jornalistas conhecidos da TV americana “se derretendo” por Obama. “Preciso confessar, meu joelhos tremem um pouco (na presença do democrata)”, afirma Lee Cowan, da NBC News. Até agora, o vídeo preferido pelos apoiadores do republicano traz como trilha sonora a música Can’t take my eyes off of you (“não consigo tirar os olhos de você). “Os especialistas concordam que, na história americana, não existe paralelo de uma cobertura que tenha dado tanto destaque a um dos candidatos”, revela o professor Mauro Porto, do Departamento de Comunicação da Tulane University. De acordo com o especialista, o carisma, a boa retórica e o fato de ser o primeiro negro com chances rais de chegar à presidência são os ingredientes que transformaram Obama no “queridinho” da mídia.
“É algo completamente inusitado. Não só os jornalistas, mas também os humoristas têm muita dificuldade em falar mal dele”, destaca Porto. A preferência da imprensa pelo democrata já foi percebida até pelo eleitorado. Segundo um levantamento da Rasmussen Reports, 49% da população acredita que a maioria dos repórteres tenta ajudar Obama com a cobertura. Em junho, esse índice era de 44%. Apenas 14% dos entrevistados acham que a mídia tende a ajudar McCain, e menos de um quarto acredita que a cobertura seja imparcial.
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