sexta-feira, 18 de julho de 2008

Para o Globo, a Baronetti é um templo budista

À primeira vista, é uma boa pauta, obrigatória até: como é por dentro a boate Baronetti, palco de brigas, confusões e, mais recentemente, um assassinato? O assassinato aconteceu na calçada em frente, mas a discussão ou briga que lhe deu origem começou no interior da casa noturna.

Mas a matéria está no lugar errado - a revista Rioshow, do Globo - cuja função é recomendar opções de lazer aos cariocas. E foi feita com o enfoque típico da Rioshow: a favor.

"A boate que bomba" é o título da reportagem, que ocupa quatro páginas, além da capa da revista. No texto, não apenas bomba como funciona com cuidadosa e minuciosa perfeição. Fica difícil entender como pessoas que se comportam tão bem nos 180 metros quadrados da boate, vigiadas de perto por seguranças, acabam tentando se matar assim que põem os pés na calçada. Devem ser possuídas por alguma entidade maléfica que se esconde sob a porta de saída.

A primeira intenção da matéria - ou dos donos da Baronetti - é mostrar o zelo da casa para controlar a entrada dos brigões: "...é preciso encarar um ritual minucioso. Para começar, percorre-se um corredor que desemboca em dois seguranças. Um deles confere identidades para não permitir a entrada de menores. O outro só olha".

Depois de lembrar que, em qualquer boate, tem gente que entra com carteira de identidade falsa, para disfarçar o fato de ser menor de idade - ou seja, a culpa não é da Baronetti se algum menor estiver lá dentro, certo? - a matéria prossegue: "O segundo passo é a revista. Uma mulher confere o que as meninas carregam na bolsa e um homem passa um detector de metais móvel pelo corpo dos meninos".

Só isso? Que nada. A Baronetti é mais dura que aeroporto americano depois da derrubada das Torres Gêmeas. "Em seguida, três funcionárias solicitam, mais uma vez, a identidade, além de telefone e e-mail. Ainda tiram uma foto do cliente e do documento, com uma dessas câmeras digitais acopladas ao computador".

Não fica por aí, não. O texto da Rioshow informa que o "interior da boate é equipado com 32 câmeras que registram o que acontece em 95% dos 180 metros quadrados da casa. Além disso, 18 seguranças terceirizados, ficam a noite inteira na vigília. No total, são gastos R$ 50 mil por mês só nisso".

- Temos em média um segurança para cada 10 metros quadrados - garante o gerente.

O que autoriza o proprietário a afirmar:

- A maioria das brigas acontece do lado de fora. Lá dentro, qualquer princípio é logo inibido.

Os cariocas já sabem: quando quiserem um lugar seguro, procurem a Baronetti. Mas cuidado com a calçada da frente. É o lugar mais perigoso do Rio. A polícia devia interditá-la. A calçada, é claro.

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