sexta-feira, 14 de novembro de 2008

O primeiro abuso do governo Obama

Este blog está tão sensível a ponto de ter sido o único a considerar abusivo e desrespeitoso o questionário a que Barack Obama está submetendo os americanos que buscam emprego no seu governo?

São, no total, 63 perguntas num questionário de sete páginas. A maioria das indagações faz sentido. Apura informações sobre o envolvimento do candidato com a polícia, a justiça e a receita federal. Mas algumas perguntas ou exigências ferem de maneira flagrante os direitos individuais dos entrevistados. Por exemplo:

  • Liste todos os apelidos ou nomes que você tenha usado para se comunicar na internet.
  • Liste os nomes de todas as pessoas com quem tenha morado nos últímos dez anos.
  • Revele se participa de algum grupo que se baseie em cor, etnia, religião ou orientação sexual.
  • Identifique presentes de mais de U$ 50 que você ou seu cônjuge tenha recebido.
  • Informe se já fez algum comentário, por email, em blogs e em sites de debates, que possam causar embaraço ao presidente eleito.

2 comentários:

Zé Carlos disse...

Sempre que emitimos alguma opinião deveriamos nos colocar na situação do criticado.

Se invasão de privacidade, é.

Mas o cargo é publico.

No item 1: qual a garantia de se contratar um funcionário que emite uma opinião divergente usando a covardia dos apelidos na net?

No item 2: e se o sujeito é passivel de chantagem de seus companheiro(a)?

No item 3: Qual o motivo HONESTO que leva uma pessoa a esconder sua religião ou orientação sexual?

No item 4: Se não concordo com meu patrão porque vou trabalhar com ele? Porque voce não volta a trabalhar no Globo?

Se voce vai contratar um ajudante de pedreiro não é justo perguntar se ele já teve problemas de hérnia?

As questões são pertinentes, responde quem quer!

Anônimo disse...

José Carlos:
1. Qualquer um pode dar a opinião que quiser, anônima ou abertamente, desde que para isto utilize apenas e exclusivamente o seu próprio email e seu computador pessoal.
2. O fato de ter dividido um apartamento no campus de uma universidade com um nazista, comunista, racista ou seja lá o que for não torna ninguém necessariamente vinculado às idéias dele. O fato de ter se separado de uma mulher de maneira litigiosa não pode condenar ninguém na hora de procurar emprego,m a não ser que algum crime tenha sido cometido.
3. O que o questionário quer saber não é se o candidato esconde sua orientação religiosa ou sexual, mas se integra algum grupo de militância religiosa ou sexualmente definida. Dos jovens católicos contra o aborto, por exemplo. Ou do que luta pelos direitos dos gays.
4. De ninguém pode ser cobrada admiração ou defesa de um empresário ou político antes de sua contratação por este empresário ou político. Nem depois. Durante, o máximo que se pode esperar dele é silêncio. Por que um crítico de Obama não pode ser funcionário público contratado por Obama, se tiver capacidade para a função? Já exerci funções, para políticos, nas quais o que se exigia de mim era justamente uma visão crítica do trabalho deles, em vez de engajamento.
Sobre O Globo: trabalhei 11 anos no jornal e nunca perdi o senso crítico em relação à empresa e, principalmente, em relação ao meu próprio trabalho. Lutei, lá dentro, pelas posições que achava mais corretas para a empresa, especialmente no que se refere a ética. Se não voltei a trabalhar lá é porque não recebi uma boa proposta (aliás, diga-se a bem da verdade, não recebi nenhuma proposta).

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