segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

A esperteza de Jarbas Vasconcellos

Em agosto de 2006 o senador amazonense Jefferson Péres pronunciou na tribuna um discurso em que de declarava definitivamente decepcionado com a política. Anunciou que não se candidataria mais a cargos eletivos. Ele disse:

- Um país que tem um Congresso desse, que tem uma classe política dessa, que tem um povo... Senador Antonio Carlos Magalhães, dizem que político não deve falar mal do povo. Eu falo, eu falo. Parte da população que compactua com isso, é lamentável. E que sabe, não é por desinformação, não. E que não é só o povão, não, é parte da elite, inclusive intelectuais.

Jefferson Péres morreu dois anos depois.

O senador pernambucano Jarbas Vasconcellos foi muito menor, em sua entrevista à revista Veja.

Não por ter mentido. Como Péres, falou a verdade. Mas tinha um objetivo pragmático: dramatizar sua saída do PMDB e atirar-se nos braços da candidatura de José Serra à presidência.

Foi sincero? Provavelmente sim. Quem ousaria sair em defesa do PMDB se nem os próprios peemedebistas chamados de corruptos e ladravazes se deram ao trabalho de se defender?

Mas não se deve emprestar ao gesto de Jarbas Vasconcellos uma grandeza que não teve. Ele apenas escolheu o momento certo e a revista certa para romper com um partido que ajudou a fundar mas com o qual já não tinha qualquer ligação.

3 comentários:

Stefano di Pastena disse...

Jefferson Péres fez ainda pior: alguns meses após aquele desabafo, ele permitiu que seu partido entrasse no governo em grande estilo com o elegante, competente e erudito Carlos Lupi. Descanse em paz.

Zé Carlos disse...

Um Senador da República chama seus "amigos" de safados, certo?

Para a mídia em geral se trata de uma "dissidência do PMDB" "Racha do Partido", etc.

É crime MARONA!

Um dos lados é criminoso:

Ou Jarbas praticou crime de calunia ou Sarney é corrupto.

Um dos dois tem de pagar!

Stefano di Pastena disse...

Ainda bem que perdi a imperdível opinião de Pedro Simon, o Suplicy Carola.

Postar um comentário