Embora seja graficamente mal resolvida, é muito bem bolada a capa do caderno de esportes do Globo de hoje, sobre a vitória da Argentina. Toninho, o editor, faz uma comparação entre as seleções brasileira e argentina:
"O que eles têm: futebol.
"O que eles não têm: febre, bolha, tonteira, o melhor do mundo, quadrado mágico, boate, bate-boca com presidente, briga com a imprensa".
Um bom exemplo do jornalismo de intervenção.
Mas representa, também, um certo complexo de vira-latas que costuma perseguir o Brasil em Copas do Mundo. Há poucos dias, éramos os melhores do mundo, favoritos indiscutiveis ao título. Diante da vitória magra sobre a Croácia e da vitória arrasadora da Argentina sobre a Sérvia e Montenegro, nossos piores medos afloram. Ficamos vulneráveis como meninos abandonados no primeiro dia de aula numa escola estranha.
O Brasil pode vencer a Argentina, mesmo esta Argentina que se viu ontem. Basta que jogue o que jogava anteontem, antes da Copa. Basta que abandone frescuras como o tal do quadrado mágico, que pode ser bacana contra os pernas de pau das eliminatórias, mas não enganará as grandes seleções - como a Argentina.
Basta, ainda, que não se deixe influenciar pela parte da crítica liderada por Fernando Calazans, também do Globo, que repete há alguns anos a mesma ladainha: contra qualquer preocupação defensiva, contra a marcação no meio do campo, contra a vitória que não tenha nascido de algum malabarismo.
Cronistas como o Calazans - ele não é o único desta escola - consideram a vitória de 94 uma vergonha e a vitória de 2002 um constrangimento. A primeira porque foi obtida nos pênaltis, a segunda porque foi conquistada com um técnico pragmático, mais preocupado em vencer do que em dar espetáculo.
Jogadores brasileiros na Alemanha: esqueçam o Calazans, esqueçam o Galvão Bueno, esqueçam o Ronaldo e, se for preciso, esqueçam o Parreira; façam o que sabem fazer e vençam a Copa. É só isto (!) que o Brasil espera de vocês.
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