domingo, 30 de abril de 2006
Juro que não é preguiça
Espero resolver os dois problemas nos próximos dias.
terça-feira, 25 de abril de 2006
O novo JB: ousadia e timidez andam juntas
Ao optar pelo formato berliner, O Jornal do Brasil fez o que tinha que fazer:
- Teve coragem de lançar no país uma tendência que ganha força na Europa e nos Estados Unidos, o que lhe reserva o papel de pioneiro;
- chamou atenção sobre si mesmo numa época em que o mercado brasileiro é agitado pelo lançamentos de novos jornais;
- baixou custos e reduziu preço de capa, o que certamente contribuirá para lhe dar algum fôlego financeiro e, muito provavelmente, aumentar-lhe a tiragem.
Esses três motivos já seriam suficientes para justificar a nova opção.
Nem mesmo a semelhança do alto da primeira página com o londrino The Guardian, sobre a qual ouvi algumas críticas, deve ser motivo de preocupação. Se decidiram copiar, fizeram bem em aproveitar idéias de um dos mais bem resolvidos jornais do mundo. Até poderiam ter sido mais fiéis à fonte de inspiração. O jornal inglês explora muito bem os dois tons de azul do logotipo, reproduzindo-os nas chamadas que ficam acima do título. Evita chamadas apenas com títulos na parte inferior ao logotipo e só em casos excepcionais abre manchete além de duas colunas.
A comparação entre os dois jornais beneficia, em leveza e elegância, o diário londrino. Numa cidade com tantos tablóides populares e sensacionalistas, a elegância na primeira página é fundamental, para delimitar diferenças – e aqui me refiro a Londres, embora a mesma situação possa se aplicar ao Rio de tantos jovens jornais “gritados”, como Expresso e Meia Hora.
Feitos os devidos elogios, vamos às críticas. Algumas dizem respeito unicamente à execução do formato adotado, outras são estruturais e não dependem do fato de o JB ser standard, berliner ou tablóide. No entanto, parece evidente que a diminuição do tamanho do jornal tornou mais visíveis alguns dos seus defeitos.
O recorte da foto da Sharon Stone na capa de segunda-feira era de uma rusticidade de jornal de mimeógrafo. As fotos internas lembram os velhos clichês tipográficos. Os borrões e falhas de impressão parecem uma homenagem aos velhos tempos da Tribuna de Taquaritinga, com todo respeito a esta progressista comuna e, é claro, ao seu mais dileto filho, o comandante-em-chefe do JB.
O novo Jornal do Brasil não precisa parecer uma versão genérica e apressada do standard, ainda que seja mais barato. A não ser que esteja nos planos do jornal induzir o assinante a pensar que o JB que agora chega às bancas é a sua versão do Meia Hora ou do Expresso.
As primeiras edições deste JBerliner não parecem apenas mal-ajambradas ou diagramadas às pressas. Sugerem ao leitor acostumado com o jornal uma certa confusão nos critérios editoriais. Se o JB não abriu mão do conceito de jornal de classe média com fidelidade na Zona Sul e arredores – o que jamais deveria fazê-lo -, precisa dar esta cara ao novo formato: na escolha da manchete, na seleção dos assuntos, no estilo dos títulos.
Não pode, por exemplo, dedicar a manchete de segunda-feira à vitória do Flamengo no campeonato brasileiro, por duas razões: porque não faz parte da tradição do JB este tipo de escolha e porque, além disso, a manchete foi um erro, uma vez que não foi apenas o Flamengo a vencer entre os clubes cariocas.
No sábado, ao optar pelas mãos manchadas de Lula como manchete, não podia ter deixado de publicar na primeira página a imagem do presidente e, em tamanho menor, a foto de Getúlio Vargas fazendo o mesmo gesto.
Na verdade, é bem mais difícil fechar uma primeira página de tablóide ou berliner. A escolha da manchete precisa ser muito mais rigorosa, assim como a seleção da foto principal. Num jornal de tamanho menor, cresce muito o risco dos editores, tanto da primeira página quanto das páginas internas. No espaço amplo do standard, o editor sempre pode dizer: “Eu dei tudo”; no berliner ou no tablóide, tem que acertar na mosca, com poucos tiros.
O berliner não é um standard reduzido, é um novo jornal, que exige novos critérios de escolha e um novo conceito de edição. Não é um standard espremido em espaço menor. Não é o JBzinho do JB, como o Expresso é o mini-Globo e o Meia-Hora é o mini-Dia. Não deve estar sendo fácil estabelecer esta diferença numa redação que é obrigada a fazer dois jornais com as mesmas notícias. E eis aqui, talvez, o maior equívoco do projeto: a manutenção de uma versão standard, provavelmente por receio de chocar e espantar os assinantes, mas que contrasta com a coragem demonstrada na decisão de lançar o berliner.
O JB acabou sendo ousado e tímido ao mesmo tempo. Se o novo formato é moderno e contemporâneo e foi adotado por alguns dos mais prestigiados jornais do mundo – argumentos com os quais concordo plenamente - o JB poderia afinar o discurso, fazer um ótimo berliner e convencer seus leitores – assinantes ou não – de que está fazendo o melhor. Poderia acrescentar ousadia gráfica e experimentação editorial ao atrevimento que demonstrou ao mudar de tamanho.
segunda-feira, 24 de abril de 2006
A passos de cágado
Tenho me esforçado para postar alguma coisa, mas parece gincana. Não posso afirmar que o problema seja do blogger ou do meu computador.
domingo, 23 de abril de 2006
terça-feira, 18 de abril de 2006
Quando a câmera escondida é útil
Aprendi com Evandro Carlos de Andrade, meu chefe durante 18 anos no Globo e na TV Globo, que existe um critério a ser seguido: um repórter tem o direito de apurar informações de maneira clandestina apenas se o mal que ele pode impedir com a matéria que resultar deste recurso for bem maior do que o mal que ele pode causar à vítima da espionagem. Continua relativo, é claro, mas já estabelece uma graduação e uma medida. Para mim, pelo menos, ficou claro o suficiente para adotar como regra no período em que fui editor-chefe do Jornal Nacional. Cito alguns exemplos daquela época:
- A Globo de São Paulo obteve a gravação, com câmera escondida, das violências cometidas por PMs contra moradores da Favela Naval e o JN não teve nenhuma dúvida de que deveria botá-las no ar. Cenas semelhantes ocorreram na Cidade de Deus, no Rio, e também foram mostradas.
- Foram exibidas com grande destaque, em forma de série, imagens que mostravam militares brasileiros - entre os quais vários oficiais da Marinha - usando navios de guerra para trazer grande quantidade de contrabando para o país.
- Da mesma forma, o JN mostrou imagens, obtidas clandestinamente, da ação de uma quadrilha que contrabandeava e vendia a traficantes fuzis, metralhadoras e outras armas pesadas.
Nem todos os casos são assim tão fáceis de analisar. Tenho convicção, por exemplo, de que era desnecessário plantar um microfone na sala da delegacia de polícia em que o jornalista Pimenta Neves, assassino da namorada, prestava o primeiro depoimento. O crime já havia sido cometido, nada de mal poderia ser impedido com aquela matéria. Mas há quem defenda aquela situação.
segunda-feira, 17 de abril de 2006
Richtofen: leitor contestra o blog e o blog se defende
"Por que? Por que? Por que?...O que você faria, caro Marona, se fosse o editor chefe do Fantástico? Acho também facílimo criticar depois de uma repercussão. Difícil é decidir, como jornalista, o que fazer diante destas situações. Mas acho que o pior mesmo seria omitir todos os fatos. Que a criminosa deu uma entrevista e que está tentando se defender, a qualquer custo, da acusação do evidente crime.
Seg Abr 17, 10:50:36 AM 2006"
Eis a minha resposta:
Meu caro marcus:
Eu não pautaria uma entrevista com a Suzane Richtofen, a não ser que pudesse apresentar contrapontos e opiniões divergentes às dela.
Eu não faria com ela um acordo para exibir apenas o que ela quisesse e bem entendesse, sem contestação.
Se fosse derrotado nessas duas premissas - até porque na Globo as decisões nunca são individuais - eu seria contra a exibição da entrevista, depois do vazamento das orientações dos advogados.
Mesmo porque, em tese, sou contra o uso de informações obtidas com microcâmeras e microfones escondidos (acidentalmente ou não), exceto em casos especialissimos - e este não me parece ter sido.
Finalmente, é claro que é muito difícil decidir diante das situações de fato, assim como é mais fácil criticar depois. Mas eu me considero no direito de criticar porque abri um blog pra isso - analisar a imprensa - e porque nunca neguei que tenha cometido todos os erros possíveis e imagináveis quando estive com o poder de decidir.
Já errei e acertei muito, o que me torna um crítico menos suspeito, quase sempre.
Seg Abr 17, 11:19:11 AM 2006
Salário do JB permite alugar jatinho
Virou colunista do JB.
Na semana passada, alugou um jatinho para visitar o amigão Itamar Franco em Juiz de Fora. Jura que foi uma despesa pessoal e, por isso, não deve explicações a ninguém.
A pergunta que não quer calar desde então é: quanto o JB está pagando para o seu colunista?
Será que o Tanure sabe que sustenta um PJ que pode puxar a carteira e alugar um jatinho?
O Elio Gaspari deve estar morrendo de inveja.
Richtofen: o que o Fantástico não explicou
- Se o próprio texto da matéria admite que qualquer advogado tem o direito de orientar seu cliente a mentir para não se incriminar ou, pelo menos, para facilitar sua defesa, por que a atitude dos representantes de Suzane Richtofen foi questionada pela reportagem e pelas fontes que o programa ouviu?
- Por que o Fantástico ofereceu a uma assassina confessa espaço para se defender se sabia muito bem - e não dependia do vazamento acidental para confirmar - que ela usaria o tempo disponível para se passar por vítima?
- Por que o Fantástico aceitou previamente, como revelou ontem, exibir a entrevista de uma assassina confessa sem qualquer contestação ou imagem de arquivo, acordo que a beneficiaria em detrimento da isenção jornalística e que teria sido rigorosamente cumprido não fosse o acidente do vazamento da orientação dos advogados?
- Por que o Fantástico pôs no ar as orientações dos advogados vazadas no microfone antes da gravação da entrevista em vez de, diante da constatação de que a menina estava sendo orientada a fingir, simplesmente cancelar a gravação da matéria naquele momento?
- Por que uma assassina confessa, que estava solta, só voltou a ser presa quando o Fantástico mostrou que, além de assassina, ela é mentirosa, como se a dissimulação fosse crime mais grave do que o homicídio?
Dia e JB: análise amanhã
— Não dá pra não perder!
A NET é uma esculhambação
— Tem certeza? - pergunta o gremista.
— Claro! Está dizendo aqui no computador. A transmissão de Grêmio e Corinthians estará sendo para São Paulo.
— Meu caro, você está em São Paulo, não sei por quê, mas eu vivo no Rio e aqui no jornal diz que a Globo vai transmitir São Paulo e Flamengo.
Longa espera.
— Parece que o senhor tem razão. Neste caso, estaremos transmitindo apenas pelo pay per view, no canal 122.
O gremista compra, então, o direito de assistir ao jogo.
Dez minutos antes do horário da partida, liga no canal 122 e nada: "Você não tem direito de assistir esta transmissão", informa a tela preta, com erro de português (ele deveria não ter direito de assistir "a" esta transmissão). Liga para a NET e recebe uma informação tranquilizadora, de novo com sotaque, depois de nova longa espera:
— Houve um probleminha, mas estaremos conectando o canal 122 no seu aparelho em quatro minutos.
— E se não conectarem? - pergunta o gremista.
— Aí o senhor liga de novo que estaremos resolvendo o problema.
Adivinhem: não conectaram mesmo e o gremista ligou de volta, mas só conseguiu ser atendido com quase vinte minutos de jogo já em andamento, a esta altura disposto apenas a cancelar a compra.
— Por que cancelar se estamos transmitindo?
— Vocês podem estar transmitindo até para a casa do caralho, mas aqui em casa não aparece nada! - responde o gremista, com certa irritação.
— Estranho porque aqui diz que estamos transmitindo, no canal 74.
— Mas vocês disseram que era no 122!
Longa espera.
— Desculpe, é verdade, estamos transmitindo no 122 - responde o funcionário.
— Não estão, não, porra! Nem no 74, nem no 122. Por favor, apenas cancele a compra.
A última pergunta do funcionário da NET:
— O senhor tem certeza de que quer estar cancelando?
quarta-feira, 12 de abril de 2006
Richtofen foi presa por enganar a Globo
A nova decisão da justiça sugere o seguinte: matar os pais e aguardar o julgamento em liberdade, tudo bem; mas tentar se passar por vítima na TV Globo é inaceitável! Cadeia nela!
segunda-feira, 10 de abril de 2006
Ana Paula enfrenta o mau humor do SBT
Esta é uma das razões pelas quais muita gente da Globo resiste a propostas para deixar a empresa. Alguns saem para ganhar rios de dinheiro, mas logo descobrem que, nas concorrentes, tudo é muito mais difícil. Não que a Globo deixe de fazer as mudanças que quiser e bem entender. Mas, pelo menos, sempre trata seus jornalistas sêniores com certa deferência. E as mudanças não são movidas apenas pelo humor do dono.
Luize não chorou porque o advogado é fraco
Nerste caso, o Fantástico teria exibido uma entrevista em que a assassina pareceria estar chorando e conseguiria convencer muita gente no papel de vítima.
A Globo não resiste a uma lágrima, genuína ou não. Em todas as entrevistas - e foram muitas e intermináveis - com o nosso mochileiro das galáxias, tentou arrancar dele algumas lágrimas ou um soluço que fosse, mas não obteve sucesso. Além de ser um chato de galochas anti-gravitacionais, o astronauta brasileiro é frio: não rende matéria emocionante.
sexta-feira, 7 de abril de 2006
Judas: pesquisa dá razão a Scorcese
— A todos excederás, porque tu sacrificarás o homem que me veste.
O texto redime Judas do papel ignomioso com que se tornou conhecido. Ele seria, de todos os apóstolos, o preferido de Jesus, e o único que compreendia o seu destino. Segundo os pesquisadores que encontraram os novos textos, apenas a traição permitiria que Jesus se libertasse do seu lado mortal e realizasse a sua missão.
Em 1988, quando lançou "A última tentação de Cristo", Martin Scorcese causou polêmica ao descrever um Jesus vacilante e angustiado entre a condição de homem e de filho de Deus. O filme já mostrava a intimidade de Jesus com Judas e chocava ao mostrar exatamente o que essas últimas pesquisas revelam: Judas não queria trair, mas foi induzido a isto por Cristo.
MV Bill e Daslu: tudo a ver?
Nos dias seguintes, o incômodo aumentou porque foi possível verificar que se tratava, mesmo, de uma grande operação, que flertava com o marketing.
- Um livro com o roteiro do filme foi lançado festivamente, com ampla cobertura da Globo;
- O Dia descobriu que os diretores do filme viram duas pessoas seqüestradas, no cativeiro, e não tomaram nenhuma atitude - sequer ligaram anonimamente para o Disque-denúncia.
- Agora, MV Bill lança o filme e o livro numa festa de arromba na Daslu, aquele templo da futilidade paulistana que quase foi fechado por contrabando e sonegação de impostos.
quinta-feira, 6 de abril de 2006
As acepções da palavra "merda"
Circula na internet esta lista de 28 acepções da palavra:
1. Como indicação geográfica 1: Onde fica essa MERDA?
2. Como indicação geográfica 2: Vá a MERDA!
3. Como indicação geográfica 3: 18:00h - vou-me embora dessa MERDA.
4. Como substantivo qualificativo: Você é um MERDA!
5. Como auxiliar quantitativo:Trabalho pra caramba e não ganho MERDA nenhuma!
6. Como indicador de especialização profissional: Ele só faz MERDA.
7. Como indicativo de MBA: Ele faz muita MERDA.
8. Como sinônimo de covarde: Seu MERDA!
9. Como questionamento dirigido: Fez MERDA, né?
10. Como indicador visual: Não se enxerga MERDA nenhuma!
11. Como elemento de indicação do caminho a ser percorrido: Por que você não vai a MERDA?
12. Como especulação de conhecimento e surpresa: Que MERDA é essa?
13. Como constatação da situação financeira de um indivíduo: Ele está na MERDA...
14. Como indicador de ressentimento natalino: Não ganhei MERDA nenhuma de presente!
15. Como indicador de admiração: Puta MERDA!
16. Como indicador de rejeição: Puta MERDA!
17. Como indicador de espécie: O que esse MERDA pensa que é?
18. Como indicador de continuidade: Na mesma MERDA de sempre.
19. Como indicador de desordem: Tá tudo uma MERDA!
20. Como constatação científica dos resultados da alquimia: Tudo o que ele toca vira MERDA!
21. Como resultado aplicativo: Deu MERDA.
22. Como indicador de performance esportiva: O "Crube Atrético Minero" não está jogando MERDA nenhuma!
23. Como constatação negativa: Que MERDA!
24. Como classificação literária: Êta textinho de MERDA!
25. Como qualificação de governo: O governo do FHC foi uma grande MERDA! (E o do Lula também...)
26. Como constatação negativa de degustação: Nunca mais bebo dessa MERDA!
27. Como interrogação profissional: Ninguém trabalha nessa MERDA?
28. Como indicativo de ocupação: Para você ter lido até aqui, é sinal que não está fazendo MERDA nenhuma!!!
quarta-feira, 5 de abril de 2006
Mais uma semana para O Dia
Mas entendo que é adequado esperar alguns dias, pelo menos uma semana, até que a redação comece a se habituar ao novo desenho. Os primeiros dias são sempre marcados por erros de aplicação das novas regras. Depois de algum tempo, os editores se acostumam e o novo design pode, aí sim, ser avaliado com mais isenção.
segunda-feira, 3 de abril de 2006
Globo on line faz pesquisa no Além
"São Paulo:
Hóspede é morto
em flat nos jardins"
Depois do lead, o GloboOn lança uma pesquisa e pergunta:
"Já aconteceu com você? Conte."
Aguardam-se ansiosamente, e com indisfarçável receio, os depoimentos das pessoas que já tenham sido mortas em flats nos Jardins. Será que Xico Xavier também falava com os espíritos pela internet?



