Quinta-feira, 18 de Maio de 2006
Ronaldinho Gaúcho jogou mal: ainda bem!
José Trajano, da ESPN Brasil, interrompeu algumas vezes o colega de comentário PVC, que dava informações precisas sobre quantas vezes alguém fez alguma coisa nas últimas tantas finais da Copa da Uefa, para sentenciar:
— Ronaldinho está devendo.
Deve ter sido pouco, para o Trajano, o passe milimétrico que resultou na expulsão do goleiro do Arsenal, aquele que estava, segundo o PVC, há 827 minutos e 38 segundos sem tomar gol. Deve ter sido pouco, também, o passe que acabou com um chute na trave. Não deve ter sido suficiente, ainda, o fato de Ronaldinho ter sido o organizador das jogadas que levaram o Barcelona ao título.
Assim é melhor. Quando os nossos comentaristas elogiam demais Ronaldinho, fico desconfiado.
Terça-feira, 16 de Maio de 2006
Inclusão social é o cacete!
Não é.
Inclusão social é a cura da exclusão social, apenas, da mesma forma como jogar xadrez desenvolve a capacidade de jogar xadrez.
A violência a que assistimos nos últimos dias em São Paulo e costumamos presenciar todos os dias em qualquer grande cidade tem apenas um nome - banditismo - e um remédio - ação policial firme e eficiente.
Não foi a miséria que levou os criminosos do PCC a matar dezenas de policiais. Os miseráveis que os intelectuais gostam de citar são, eles também, vítimas dos mesmos bandidos, mas de maneira alguma protagonistas dos ataques.
O menino pobre está tão propenso a virar bandido quanto o menimo mimado da classe média. Se as estatisticas mostram mais meninos pobres aderindo ao crime é porque existem mais meninos pobres do que garotos ricos. Simples assim.
O resto é preconceito contra os excluídos que fingem defender. Como se a única salvação deles fosse ser como nós - cultos, bem apessoados, brancos e auto-suficientes.
Eu tenho um amigo muito íntimo que é filho de carroceiro, tomava café com farinha de mandioca quando criança e nem por isso ele e o seu pai viraram assaltantes.
Segunda-feira, 15 de Maio de 2006
O novo jornalismo da Veja
Botou as mãos num dossiê montado pelo Daniel Dantas.
Constatou que não havia provas das denúncias do dossiê.
Mandou examinar os documentos e verificou que eles podem ser forjados.
E o que fez a Veja?
Publicou tudo!
Depois, diante da reação desaforada de Lula, a revista argumentou que a matéria é resultado de seis meses de apuração. Como se isto pudesse tornar as acusações verdadeiras.
No Bom Dia Brasil, uma guerra sem adjetivos
Não faz muito tempo que um tiroteio entre traficantes da Rocinha e do Vidigal, no Rio, mereceu chamadas e cabeças de VT com expressões como "caos" "violência sem fim", "pânico", "descontrole", "poder paralelo", "guerra civil" e coisas do gênero.
Hoje de manhã, a âncora do Bom Dia Brasil disse o seguinte numa passagem de bloco:
— Daqui a pouco: São Paulo contra o crime.
Um pouco antes, Renato Machado lera uma cabeça para o VT de Nova York sobre a repercussão internacional, anunciando o que os jornais do mundo diziam sobre "a violência em três estados brasileiros".
Nunca se viu tanta parcimônia, prudência, cautela e cuidado com as palavras. Um exemplo de neutralidade e sobriedade.
Mas será que também vai valer para o Rio?
Domingo, 14 de Maio de 2006
Podia ser pior
Recebi de amigos um protetor de tela engraçadinho, feito especialmente para quem não gosta do G. W. Bush. Mas quem brincar com o treco, clicando e arrastando o boneco do presidente americano, pode imaginar qualquer rosto naquele corpo.
http://www.planetdan.net/pics/misc/georgie.htm
Um repórter que detesta blogs
— Para que serve todo este lixo?
Eis algumas opiniões de Robert Fisk:
- Os jornais já não são mais uma fonte de informação confiável. Nos EUA, minhas palestras estão sempre cheias. E não é porque sou eu quem está falando, mas porque os norte-americanos estão percebendo que não podem confiar no que o "New York Times" ou o "Los Angeles Times" oferecem.
- Não gosto de internet, não uso nem e-mail. Meus colegas se vangloriam de que, com a internet, conseguem ler todos os jornais importantes do mundo antes das 11h da manhã. E eu respondo: "Às 11h da manhã eu já fiz entrevistas e estou escrevendo meu artigo para o jornal". Quem precisa ler todos esses jornais? Para que todo esse lixo?
- Os blogs poderiam ser uma alternativa, mas não são. Porque, se você os imprimir, as pessoas que escreveram aquilo muitas vezes vão ter de ser julgadas, pois não podem provar o que está lá. Eles não usam as mesmas regras. No seu blog você poderia dizer que me entrevistou na Lua e não neste hotel. E tudo bem. Mas escreva isso no jornal. Você teria problemas. Ou não?
- Eu ainda eu ainda leio jornais. Mas não entendo por que é tão difícil fazer o mais fácil, que é escrever o que realmente acontece. O mundo não acaba se você faz as coisas direito. E eu cobri o Oriente Médio a maior parte da minha carreira, um lugar perigoso. Os jornalistas têm medo. Eles transformam um território ocupado num território "disputado", uma colônia num "assentamento".
Para Lula, Veja é mentirosa quando ataca Lula
Ontem, diante da matéria da Veja que o acusa, sem provas, de ter conta em euros no exterior, Lula perdeu a calma e disse, entre outras:
- O jornalista que escreveu a matéria é bandido, mau caráter, malfeitor e mentiroso.
- Alguns jornalistas há já algum tempo estão merecendo o prêmio Nobel de irresponsabilidade. Eu só posso considerar isso um crime praticado por um jornalista ou por uma revista. Não posso comparar isso a jornalismo.
- A "Veja" vem assim há algum tempo. Não é de hoje, não, mas acho que ela chegou ao limite da podridão da imprensa. Chegou ao limite. Chegou ao limite.
- Os seus leitores não merecem a quantidade de mentiras que a Veja tem publicado.
Pelo jeito, acusação aos outros e refresco.
Imaginem se fosse no Rio!
O ataque do PCC contra o Estado não se limitou à capital. Houve 42 ações em São Paulo, 17 na Região Metropolitana, dez no litoral e 31 no interior.
Má notícia para as vítimas de assaltos no Rio que costumam aparecer nos jornais do dia seguinte dizendo que vão se mudar para São Paulo porque não suportam mais tanto descontrole e violência numa cidade que, na prática, já vive uma guerra civil.
Boa notícia para os os formadores de opinião e os jornais do Rio que, agora, terão a oportunidade de pedir intervenção federal e militar também para São Paulo.
Aproveitem!
Quarta-feira, 10 de Maio de 2006
De Gorki a Graciliano: puxa-sacos de Stalin
O que chama atenção na primeira parte do livro é a relação bizarra e asquerosa, de tão servil e submissa, de grandes artistas russos com o ditador. Gente como Gorki, Pasternak, Tolstoi e Stanislavski derramava-se em alegre bajulação do Vojd soviético, atitude que chega a atenuar a má impressão que me deixou um livro de Graciliano Ramos - Viagens - em que ele puxa descaradamente o saco de Stalin.
Se os escritores e autores de teatro que estavam ao lado de Stalin não percebiam, no final dos anos 30, a tragédia que vinha acontecendo havia quase 15 anos, e se locupletavam da proximidade com o poder, por que Graciliano, aqui do Brasil, tomaria o cuidado de não embarcar nesta canoa furada?
O circo em torno da amnésia
A reunião da CPI está lotada. Os exibicionistas de sempre, que tinham sumido quando os depoimentos deixaram de ser transmidos ao vivo, voltaram correndo agora.
Já tenho candidato a vice
Sexta-feira, 5 de Maio de 2006
Deixem Ronaldinho Gaúcho em paz
E não estou gostando nada de assistir a tanta idolatria da imprensa brasileira a Ronaldinho Gaúcho.
Qualquer matada no peito vira façanha, qualquer passe quase bem sucedido se transforma em feito épico.
Eu preferia o tempo em que Galvão Bueno, Falcão e Casagrande chamavam Ronaldinho Gaúcho de peladeiro e individualista nas transmissões da Globo.
Acho que dava sorte.
Jejum ameaça a democracia?
Foram raras, no entanto, as manifestações críticas em relação ao outro lado dessa briga. Será possível que o presidente da Associação Nacional dos Jornais, Nelson Sirotsky, afirme que a atitude de Garotinho é uma ameaça à liberdade de imprensa e à democracia e quase ninguém seja capaz de dizer que ele está exagerando? Desde quando uma atitude isolada de um político ameaça a democracia e a liberdade de expressão? Tal argumento é tão melodramático quanto a greve de fome.
A brava PM de São Paulo

Depois de longo período fora do ar, e ainda sendo obrigado a usar uma máquina emprestada, volto para um comentário incomum.
Um elogio à coragem e à competência dos cerca de 30 policiais militares de São Paulo que conseguiram, sem disparar um tiro, conter a canalha corinthiana e impedir a invasão do gramado no jogo de ontem à noite.
Estes soldados deviam ser condecorados e convidados a dar palestras sobre bravura e eficiência às PMs de todo o país.
Domingo, 30 de Abril de 2006
Juro que não é preguiça
Espero resolver os dois problemas nos próximos dias.
Terça-feira, 25 de Abril de 2006
O novo JB: ousadia e timidez andam juntas
Ao optar pelo formato berliner, O Jornal do Brasil fez o que tinha que fazer:
- Teve coragem de lançar no país uma tendência que ganha força na Europa e nos Estados Unidos, o que lhe reserva o papel de pioneiro;
- chamou atenção sobre si mesmo numa época em que o mercado brasileiro é agitado pelo lançamentos de novos jornais;
- baixou custos e reduziu preço de capa, o que certamente contribuirá para lhe dar algum fôlego financeiro e, muito provavelmente, aumentar-lhe a tiragem.
Esses três motivos já seriam suficientes para justificar a nova opção.
Nem mesmo a semelhança do alto da primeira página com o londrino The Guardian, sobre a qual ouvi algumas críticas, deve ser motivo de preocupação. Se decidiram copiar, fizeram bem em aproveitar idéias de um dos mais bem resolvidos jornais do mundo. Até poderiam ter sido mais fiéis à fonte de inspiração. O jornal inglês explora muito bem os dois tons de azul do logotipo, reproduzindo-os nas chamadas que ficam acima do título. Evita chamadas apenas com títulos na parte inferior ao logotipo e só em casos excepcionais abre manchete além de duas colunas.
A comparação entre os dois jornais beneficia, em leveza e elegância, o diário londrino. Numa cidade com tantos tablóides populares e sensacionalistas, a elegância na primeira página é fundamental, para delimitar diferenças – e aqui me refiro a Londres, embora a mesma situação possa se aplicar ao Rio de tantos jovens jornais “gritados”, como Expresso e Meia Hora.
Feitos os devidos elogios, vamos às críticas. Algumas dizem respeito unicamente à execução do formato adotado, outras são estruturais e não dependem do fato de o JB ser standard, berliner ou tablóide. No entanto, parece evidente que a diminuição do tamanho do jornal tornou mais visíveis alguns dos seus defeitos.
O recorte da foto da Sharon Stone na capa de segunda-feira era de uma rusticidade de jornal de mimeógrafo. As fotos internas lembram os velhos clichês tipográficos. Os borrões e falhas de impressão parecem uma homenagem aos velhos tempos da Tribuna de Taquaritinga, com todo respeito a esta progressista comuna e, é claro, ao seu mais dileto filho, o comandante-em-chefe do JB.
O novo Jornal do Brasil não precisa parecer uma versão genérica e apressada do standard, ainda que seja mais barato. A não ser que esteja nos planos do jornal induzir o assinante a pensar que o JB que agora chega às bancas é a sua versão do Meia Hora ou do Expresso.
As primeiras edições deste JBerliner não parecem apenas mal-ajambradas ou diagramadas às pressas. Sugerem ao leitor acostumado com o jornal uma certa confusão nos critérios editoriais. Se o JB não abriu mão do conceito de jornal de classe média com fidelidade na Zona Sul e arredores – o que jamais deveria fazê-lo -, precisa dar esta cara ao novo formato: na escolha da manchete, na seleção dos assuntos, no estilo dos títulos.
Não pode, por exemplo, dedicar a manchete de segunda-feira à vitória do Flamengo no campeonato brasileiro, por duas razões: porque não faz parte da tradição do JB este tipo de escolha e porque, além disso, a manchete foi um erro, uma vez que não foi apenas o Flamengo a vencer entre os clubes cariocas.
No sábado, ao optar pelas mãos manchadas de Lula como manchete, não podia ter deixado de publicar na primeira página a imagem do presidente e, em tamanho menor, a foto de Getúlio Vargas fazendo o mesmo gesto.
Na verdade, é bem mais difícil fechar uma primeira página de tablóide ou berliner. A escolha da manchete precisa ser muito mais rigorosa, assim como a seleção da foto principal. Num jornal de tamanho menor, cresce muito o risco dos editores, tanto da primeira página quanto das páginas internas. No espaço amplo do standard, o editor sempre pode dizer: “Eu dei tudo”; no berliner ou no tablóide, tem que acertar na mosca, com poucos tiros.
O berliner não é um standard reduzido, é um novo jornal, que exige novos critérios de escolha e um novo conceito de edição. Não é um standard espremido em espaço menor. Não é o JBzinho do JB, como o Expresso é o mini-Globo e o Meia-Hora é o mini-Dia. Não deve estar sendo fácil estabelecer esta diferença numa redação que é obrigada a fazer dois jornais com as mesmas notícias. E eis aqui, talvez, o maior equívoco do projeto: a manutenção de uma versão standard, provavelmente por receio de chocar e espantar os assinantes, mas que contrasta com a coragem demonstrada na decisão de lançar o berliner.
O JB acabou sendo ousado e tímido ao mesmo tempo. Se o novo formato é moderno e contemporâneo e foi adotado por alguns dos mais prestigiados jornais do mundo – argumentos com os quais concordo plenamente - o JB poderia afinar o discurso, fazer um ótimo berliner e convencer seus leitores – assinantes ou não – de que está fazendo o melhor. Poderia acrescentar ousadia gráfica e experimentação editorial ao atrevimento que demonstrou ao mudar de tamanho.
Segunda-feira, 24 de Abril de 2006
A passos de cágado
Tenho me esforçado para postar alguma coisa, mas parece gincana. Não posso afirmar que o problema seja do blogger ou do meu computador.


