sexta-feira, 26 de maio de 2006

Faltam 15 dias e é tudo alegria



Uma Maria-chuteira suiça invadiu o gramado e se atracou com Ronaldinho durante o treino da seleção brasileira. Em vez de ser gentilmente retirada, foi recebida com gargalhadas e uma brincadeira de Robinho, que estendeu um cobertor sobre os dois.

Insisto no meu mau-humor: papagaiada demais pode atrapalhar.

quinta-feira, 25 de maio de 2006

Eu amo minha esposa, mas...

Uma amiga deste blog recebeu um texto do marido, com orientações precisas sobre como se comportar durante a Copa do Mundo.

"Querida Esposa:

1. De 9 de junho a 9 de julho de 2006, você deverá ler a seção de esportes do jornal de modo a se manter informada sobre o que se passa na Alemanha, condição para que possa participar das conversas. Caso não proceda desta maneira, você será olhada com maus olhos, ou mesmo ignorada por completo. Neste caso, não reclame por não receber nenhuma atenção.

2. Durante a Copa, a televisão é minha, o tempo todo, sem exceção. Se você dirigir o olhar ao controle remoto, uma vez sequer, você o perderá (o olho).

3. Se você precisar passar em frente à TV durante um jogo, eu não me importarei, contanto que o faça rastejando e sem me distrair. Se você decidir se exibir nua diante de mim à frente da TV, tome o cuidado de vestir-se imediatamente pois, se pegar um resfriado, não terei tempo de levá-la ao médico nem de lhe dar assistência durante o mês da Copa.

4. Durante os jogos eu estarei cego, surdo e mudo, exceto nos casos em que eu solicite que me encha o copo ou peça a você a gentileza de me trazer algo para comer. Você estará doida se achar que irei ouví-la, abrir a porta, atender o telefone ou pegar nosso bebê que, eventualmente, tenha caído no chão.

5. Seria uma boa idéia manter pelo menos duas caixas de cerveja na geladeira o tempo todo, bem como razoável variedade de tira-gostos e belisquetes. E, por favor, não faça cara feia para meus amigos quando eles vierem assistir a um jogo aqui em casa. Como recompensa, você estará autorizada a assistir à TV entre meia-noite e seis da manhã, a menos, é claro, que neste período haja a reprise de algum jogo que eu tenha perdido durante o dia.

6. Por favor, repito, por favor! Se me vir contrariado por algum time de meu interesse estar perdendo, não diga coisas como "Ah, deixa isso pra lá, é só um jogo..." ou "Não se preocupe, eles vão ganhar da próxima vez...". Se disser coisas desse tipo, só me deixará com mais raiva e vou amá-la menos. Lembre-se, você jamais saberá mais sobre futebol do que eu e suas supostas "palavras de encorajamento" apenas nos levarão à separação ou ao divórcio.

7. Você será bem-vinda caso sente comigo para assistir a um jogo e poderá me dirigir a palavra no intervalo, mas apenas durante os comerciais e, importante, apenas se o placar do primeiro tempo tiver sido do meu agrado. Favor notar também que especifiquei UM jogo, ou seja, não use a Copa do Mundo como pretexto mimoso para aquela coisa de "passarmos mais tempo juntos".

8. Os repetecos dos gols são muito importantes. Não importa se já vi o gol ou não. Eu quero ver novamente. Muitas vezes.

9. Avise suas amigas para no mês da Copa não darem à luz ou promover qualquer festa de criança ou eventos de qualquer natureza que exijam minha presença, porque:
a) Eu não vou;
b) Eu não vou, e
c) Eu não vou.

10. No entanto, se um amigo meu nos convidar para ir à casa dele num domingo para assistir a um jogo, aceitaremos o convite na hora.

11. As resenhas esportivas da Copa toda noite na TV são tão importantes quanto os jogos propriamente ditos. Que nem passe pela sua cabeça dizer coisas como "Mas você já viu isso tudo... Por que não muda para um canal que todos possamos assistir?". Se disser algo assim, saiba desde já que a resposta será: "Veja a regra nº 2 dessa lista".

Muito grato por sua cooperação.

Atenciosamente,

Seu marido."

Copa: calma demais assusta

A alegria na concentração do Brasil na Suiça assusta. Nunca se viu uma seleção brasileira chegar para a Copa tão calma, tranquila e despreocupada. Robinho faz palhaçada com a máscara de avaliação da capacidade respiratória. A TV Globo fala de tudo nos telejornais, menos de futebol. Já somos soterrados pela avalanche de manifestações de amor dos "nativos" pelo Brasil. Já presenciamos as armações patéticas dos vetês em que estrangeiros apaixonados gritam "Buazzzil" e "Uônaldinho". Os suiços, pelo jeito, preferiam ser brasileiros.

Tudo bem que somos favoritos. Não poderia ser diferente. Mas será que não dá para a seleção se comportar como se estivesse às vésperas de um momento importante?

Protesto contra a "nova" Folha. Na Folha

Geógrafo e cientista social, o articulista da Folha Demétrio Magnoli fez hoje, num PS ao seu texto publicado na página 2, um curioso protesto contra o novo projeto gráfico do jornal:

"Por conta da reforma gráfica, essa coluna perdeu quase um quinto do seu espaço. De que serve opinião sem fato ou contexto histórico?"

Em tese, qualquer texto pode ser reduzido em um quinto - quando não em cinco quintos. Mas que a nova Folha ficou feia como porta de tinturaria, não há dúvida.

quarta-feira, 24 de maio de 2006

Algumas fotos de Custodio Coimbra

Tive a sorte de trabalhar para Custodio Coimbra e Cristina Chacel, na edição de um livro feito para a Michelin. Eis algumas fotos:





Empate com o Guaíba



Nem tudo está perdido: o amanhecer em Valparaíso, no Chile, é quase tão bonito quanto o pôr do sol sobre o Guaiba.

Bem-vinda ao fim do mundo



As nuvens negras sobre a cidade, o Masp sem luz...

São Paulo divide com o Rio a pole da corrida ao fim do mundo.

quinta-feira, 18 de maio de 2006

Ronaldinho Gaúcho jogou mal: ainda bem!

Meu otimismo em relação ao Brasil na Copa do Mundo cresceu um pouco mais, ontem, ao assistir ao jogo entre Barcelona e Arsenal pela decisão da Copa da Uefa: voltaram a criticar Ronaldinho Gaúcho.

José Trajano, da ESPN Brasil, interrompeu algumas vezes o colega de comentário PVC, que dava informações precisas sobre quantas vezes alguém fez alguma coisa nas últimas tantas finais da Copa da Uefa, para sentenciar:

— Ronaldinho está devendo.

Deve ter sido pouco, para o Trajano, o passe milimétrico que resultou na expulsão do goleiro do Arsenal, aquele que estava, segundo o PVC, há 827 minutos e 38 segundos sem tomar gol. Deve ter sido pouco, também, o passe que acabou com um chute na trave. Não deve ter sido suficiente, ainda, o fato de Ronaldinho ter sido o organizador das jogadas que levaram o Barcelona ao título.

Assim é melhor. Quando os nossos comentaristas elogiam demais Ronaldinho, fico desconfiado.

segunda-feira, 15 de maio de 2006

O novo jornalismo da Veja

A Veja está reinventando o jornalismo.

Botou as mãos num dossiê montado pelo Daniel Dantas.

Constatou que não havia provas das denúncias do dossiê.

Mandou examinar os documentos e verificou que eles podem ser forjados.

E o que fez a Veja?

Publicou tudo!

Depois, diante da reação desaforada de Lula, a revista argumentou que a matéria é resultado de seis meses de apuração. Como se isto pudesse tornar as acusações verdadeiras.

No Bom Dia Brasil, uma guerra sem adjetivos

A TV Globo, pelo menos no Bom Dia Brasil, fez das tripas coração para minimizar o irredutível: a guerra entre traficantes e policiais que já matou mais de 70 pessoas em São Paulo nos últimos três dias.

Não faz muito tempo que um tiroteio entre traficantes da Rocinha e do Vidigal, no Rio, mereceu chamadas e cabeças de VT com expressões como "caos" "violência sem fim", "pânico", "descontrole", "poder paralelo", "guerra civil" e coisas do gênero.

Hoje de manhã, a âncora do Bom Dia Brasil disse o seguinte numa passagem de bloco:

— Daqui a pouco: São Paulo contra o crime.

Um pouco antes, Renato Machado lera uma cabeça para o VT de Nova York sobre a repercussão internacional, anunciando o que os jornais do mundo diziam sobre "a violência em três estados brasileiros".

Nunca se viu tanta parcimônia, prudência, cautela e cuidado com as palavras. Um exemplo de neutralidade e sobriedade.

Mas será que também vai valer para o Rio?

domingo, 14 de maio de 2006

Podia ser pior

Não chega a ser brilhante, mas é melhor que assistir ao Faustão numa tarde de domingo:

Recebi de amigos um protetor de tela engraçadinho, feito especialmente para quem não gosta do G. W. Bush. Mas quem brincar com o treco, clicando e arrastando o boneco do presidente americano, pode imaginar qualquer rosto naquele corpo.

http://www.planetdan.net/pics/misc/georgie.htm

Um repórter que detesta blogs

Está na Folha de hoje uma entrevista com o repórter Robert Fisk, especialista em Oriente Médio, que trabalha para o britânico Independent. Ele diz que não navega na internet e não lê blogs e justifica:

— Para que serve todo este lixo?

Eis algumas opiniões de Robert Fisk:
  • Os jornais já não são mais uma fonte de informação confiável. Nos EUA, minhas palestras estão sempre cheias. E não é porque sou eu quem está falando, mas porque os norte-americanos estão percebendo que não podem confiar no que o "New York Times" ou o "Los Angeles Times" oferecem.
  • Não gosto de internet, não uso nem e-mail. Meus colegas se vangloriam de que, com a internet, conseguem ler todos os jornais importantes do mundo antes das 11h da manhã. E eu respondo: "Às 11h da manhã eu já fiz entrevistas e estou escrevendo meu artigo para o jornal". Quem precisa ler todos esses jornais? Para que todo esse lixo?
  • Os blogs poderiam ser uma alternativa, mas não são. Porque, se você os imprimir, as pessoas que escreveram aquilo muitas vezes vão ter de ser julgadas, pois não podem provar o que está lá. Eles não usam as mesmas regras. No seu blog você poderia dizer que me entrevistou na Lua e não neste hotel. E tudo bem. Mas escreva isso no jornal. Você teria problemas. Ou não?
  • Eu ainda eu ainda leio jornais. Mas não entendo por que é tão difícil fazer o mais fácil, que é escrever o que realmente acontece. O mundo não acaba se você faz as coisas direito. E eu cobri o Oriente Médio a maior parte da minha carreira, um lugar perigoso. Os jornalistas têm medo. Eles transformam um território ocupado num território "disputado", uma colônia num "assentamento".

Imaginem se fosse no Rio!

O noticiário on line já registra 52 mortos, 35 dos quais policiais, na ofensiva da principal facção de traficantes de São Paulo contra delegacias e outras dependências da Polícia Civil e da PM neste fim de semana. Há 50 feridos, 24 deles da polícia. Desde sexta-feira, houve 36 rebeliões em presídios e carceragens do estado. Neste momento, 24 motins estão acontecendo, com 100 reféns.

O ataque do PCC contra o Estado não se limitou à capital. Houve 42 ações em São Paulo, 17 na Região Metropolitana, dez no litoral e 31 no interior.

Má notícia para as vítimas de assaltos no Rio que costumam aparecer nos jornais do dia seguinte dizendo que vão se mudar para São Paulo porque não suportam mais tanto descontrole e violência numa cidade que, na prática, já vive uma guerra civil.

Boa notícia para os os formadores de opinião e os jornais do Rio que, agora, terão a oportunidade de pedir intervenção federal e militar também para São Paulo.

Aproveitem!

quarta-feira, 10 de maio de 2006

De Gorki a Graciliano: puxa-sacos de Stalin

Ainda não posso fazer uma resenha do livro "Stalin, a corte do czar vermelho", de Simon Sebag Montefiore, que comecei a ler faz uma semana. Por enquanto, atravessei apenas 200 de suas 860 páginas. Mas é o suficiente para perceber que o autor não escreve tão bem quanto eu imaginava e exagera na reprodução de pedaços de frases de cartas, bilhetes, anotações e recados entre Stalin e seus companheiros de politburo, embora a tradução do temperamento e da personalidade de todos eles dependa justamente dessas transcrições.

O que chama atenção na primeira parte do livro é a relação bizarra e asquerosa, de tão servil e submissa, de grandes artistas russos com o ditador. Gente como Gorki, Pasternak, Tolstoi e Stanislavski derramava-se em alegre bajulação do Vojd soviético, atitude que chega a atenuar a má impressão que me deixou um livro de Graciliano Ramos - Viagens - em que ele puxa descaradamente o saco de Stalin.

Se os escritores e autores de teatro que estavam ao lado de Stalin não percebiam, no final dos anos 30, a tragédia que vinha acontecendo havia quase 15 anos, e se locupletavam da proximidade com o poder, por que Graciliano, aqui do Brasil, tomaria o cuidado de não embarcar nesta canoa furada?

O circo em torno da amnésia

Este Sílvio Pereira é um cretino: depois de abrir o bico na entrevista a Soraya Agegge, está dizendo na CPI dos Bingos que não lembra da metade do que falou.

A reunião da CPI está lotada. Os exibicionistas de sempre, que tinham sumido quando os depoimentos deixaram de ser transmidos ao vivo, voltaram correndo agora.

Já tenho candidato a vice

Eu ainda não tenho candidato à presidência, mas já tenho candidato a vice: chama-se César Benjamin, é conhecido como Cesinha, e concorre pelo P-Sol. Quem o conhece, tem dois bons motivos para votar nele: pensa direito e escreve bem. Essas duas qualidades raramente andam juntas.

sexta-feira, 5 de maio de 2006

Deixem Ronaldinho Gaúcho em paz

Confesso, sou supersticioso.

E não estou gostando nada de assistir a tanta idolatria da imprensa brasileira a Ronaldinho Gaúcho.

Qualquer matada no peito vira façanha, qualquer passe quase bem sucedido se transforma em feito épico.

Eu preferia o tempo em que Galvão Bueno, Falcão e Casagrande chamavam Ronaldinho Gaúcho de peladeiro e individualista nas transmissões da Globo.

Acho que dava sorte.

Jejum ameaça a democracia?

Em relação à greve de fome do Garotinho, todo mundo já disse o óbvio: teatro mambembe, truque para não responder às acusações, tentativa de transferir responsabilidades etc.

Foram raras, no entanto, as manifestações críticas em relação ao outro lado dessa briga. Será possível que o presidente da Associação Nacional dos Jornais, Nelson Sirotsky, afirme que a atitude de Garotinho é uma ameaça à liberdade de imprensa e à democracia e quase ninguém seja capaz de dizer que ele está exagerando? Desde quando uma atitude isolada de um político ameaça a democracia e a liberdade de expressão? Tal argumento é tão melodramático quanto a greve de fome.

A brava PM de São Paulo



Depois de longo período fora do ar, e ainda sendo obrigado a usar uma máquina emprestada, volto para um comentário incomum.

Um elogio à coragem e à competência dos cerca de 30 policiais militares de São Paulo que conseguiram, sem disparar um tiro, conter a canalha corinthiana e impedir a invasão do gramado no jogo de ontem à noite.

Estes soldados deviam ser condecorados e convidados a dar palestras sobre bravura e eficiência às PMs de todo o país.